Ponta de Lança A realidade, nua e crua, demonstra à saciedade que o país está em choque!
Portugal está em choque por dois referenciais amplos, abrangentes: aquele que lhe advém de uma experiência generalizada de subcultura do choque e que agora, por nunca ter sido ultrapassado esse transe, se viu consagrado em permanência como um estádio no estado social; e, por outro lado, o que tem provocado os acontecimentos recentes ao exacerbarem essa outra não-cultura colocando esta ínsua (não podemos usurpar o conceito mais lato, o de península, não é justo para connosco próprios nem para com a Espanha!) da civilização ocidental num proto desenvolvimento.
Como país do choque, chocamos com tudo.
Ficamos chocados pela reacção de grupos sociais maometanos ao relativismo em que o Ocidente coloca todas as formas de vida, inclusive a vida espiritual ou religiosa. O que certamente nos deveria proporcionar a inflexão de que nem tudo é relativo e a minha liberdade (mesmo a de expressão) termina onde começa a dos outros! Essa linha ténue deve ser formada com base no bom senso, que implica respeito e consideração pelo outro!
O segundo elemento provocatório desta alienação, encontrou guarida num cândido acontecimento (como alguém quer fazer querer!): um simples, discreto e singelo casamento civil em Lisboa! Há alguém que acredita tratar-se apenas da fruição da igualdade de direitos?!
O estado de choque, provém também das nossas estradas, onde somos campeões do mundo no choque. Somos na estrada como na reflexão sobre a vida. As capacidades, o empreendorismo… sempre contra tudo e todos e donos de uma viperina e fóbica maledicência. As oposições são-no sem projecto alternativo para o país, apenas preparadas para derrubar os que lá estão e, depois, se assenhorearem do lugar ou nem isso!
Fica-se em perfeito histerismo, a confirmar-se a informação, que o Orçamento de Estado de 2006, faz ajustes aos escalões do IRS. Verificando-se que só a classe média é que não tem qualquer abatimento para compensar a perda do poder de compra; os escalões mais baixos e o da maioria dos deputados sofre uma “rebaixa” de 1,5%?
O choque tecnológico do governo é censurado por tentar abrir o país ao conhecimento e pela capacidade de atrair inovação e investimento em Portugal. A presença de Bill Gates no nosso país é um dado da superior capacidade de quem está à frente do executivo. Em circunstâncias normais, provavelmente com muita pena para os velhos do Restelo, no actual estado de coisas, em vez do presidente da Microsoft a vir a Portugal seria melhor, isso sim, o presidente da “Fundação Bill e Melinda Gates”, que tem doado milhões de dólares para combater a miséria no mundo, sobretudo sanitária?
E, por fim, é claro que o estado de choque atinge patamares verdadeiramente surreais: o Benfica perdeu pela segunda vez, consecutiva e pelos mesmos números. É caso para dizer, um mal nunca vem só! Mas pelo menos mantém a coerência!
É muito choque!
Desportivamente… pelo desporto!
