Universitários ligados ao MCE (Movimento Católico de Estudantes) encontraram-se em Leira, de 17 a 19 de Março, para debater cidadania, isto é, a “participação de todos na sociedade”, nas IX Jornadas de Universitários Católicos. Do encontro saiu um comunicado de conclusões. Transcreve-se a parte mais significativa dos “contributos para a mudança”.
Cidadania na sociedade…
Quando falamos de cidadania, referimo-nos à participação de todos na sociedade, à preocupação que temos uns para com os outros. Falar de cidadania é perguntar como queremos viver em conjunto. É procurar um sentido para a nossa vida colectiva, assumir o desafio exigente de vivermos a nossa liberdade em comunidade.
São muitas as mudanças a acontecer nos nossos dias, trazendo novas problemáticas, novos desafios que exigem respostas novas. A vastidão e complexidade dos problemas não permitem respostas fáceis nem análises simplistas. Podem até parecer-nos esmagadoras e fazer-nos baixar os braços. Uma coisa, porém, é para nós evidente: só em conjunto conseguiremos dar resposta aos problemas que nos afectam a todos.
…no ensino…
Enquanto estudantes do Ensino Superior, alguns desafios mais directamente ligados com o nosso estudo e com o meio estudantil não podem deixar de ser referidos:
• O percurso de formação superior deve ser uma oportunidade de crescimento em várias dimensões. Por isso, é importante que cada um saiba definir a sua agenda, as suas prioridades, aquilo que quer valorizar no seu percurso. A principal ferramenta do estudante é precisamente o seu estudo, que pode ser orientado de forma solidária.
• Percebendo as novas possibilidades da nossa participação nos programas de mobilidade e inter-câmbio a nível nacional e internacional, desejaríamos que mais estudantes pudessem ter a oportunidade de participar nessas experiências.
• Queremos continuar a acompanhar a forma como o Processo de Bolonha está a ser implementado no nosso país, procurando que no Ensino Superior o aluno possa estar cada vez mais no centro da aprendizagem. É essa a alteração central e a oportunidade deste processo: alterar um paradigma centrado no que o professor expõe para outro onde o aluno constrói a sua aprendizagem.
• A formação ao longo da vida é uma realidade cada vez mais presente. Num mercado de trabalho cada vez mais dinâmico e numa sociedade de mudança e de risco, precisamos de disponibilidade para aprender e inovar continuamente. Igualmente importa afirmar a necessidade de existência de mecanismos de segurança que permitam às pessoas reinserirem-se no mercado de trabalho, que garantam a coesão e inclusão.
• A nossa participação activa enquanto membros da comunidade estudantil passa pelo nosso contributo em associações e outros organismos. Esse trabalho associativo traz-nos uma responsabilidade acrescida em fazer desses espaços lugares de aprendizagem e cooperação entre os diversos actores no Ensino Superior.
…e na Igreja
Também na nossa Igreja deve-mos falar de cidadania. Essa vivência da cidadania na Igreja parte do pressuposto da autonomia. A vivência da Fé, esclarecida e responsável, só é possível através de uma postura comprometida. Fazemos todos parte desta Igreja que a nossa fé em Jesus Cristo nos chama a construir e sentimos a necessidade de reforçar o papel e a intervenção que nela temos, contribuindo para os seguintes desafios:
• Num tempo como o nosso, de incerteza quanto ao futuro, mais urgente se torna o anúncio de uma mensagem de esperança que ajude as pessoas a empenharem-se na construção da nossa sociedade. Precisamos de saber ler e anunciar os sinais positivos do nosso tempo, desconstruindo falsos fatalismos.
• A actividade caritativa da Igreja é uma dimensão fundamental do testemunho cristão, destacada pelo Papa Bento XVI na sua primeira Carta Encíclica. Além da sua função de auxílio e encontro com os mais necessitados, outra vertente da vivência da caridade é o combate às causas estruturais de exclusão. Neste sentido, construir uma sociedade mais inclusiva e solidária implica também o envolvimento político, porventura pouco valorizado entre nós.
• A comunidade crente deve ser um espaço de diálogo aberto e sincero. Um espaço onde a discordância não deve ser temida. A “hierarquia de verdades”, introduzida pelo Concílio Vaticano II, ensina-nos que muitos dos temas julgados indiscutíveis o não são verdadeira-mente. Mais ainda: alguns princípios da doutrina da Igreja, se não olhados numa escala de importância relativa, pervertem a própria doutrina.
• Numa comunidade que pretende “fazer novas todas as coisas”, sentimos a urgência da criatividade, de encontrar formas novas e mais consentâneas de anunciar o Evangelho. Formas que assumam a nossa responsabilidade para com a sociedade e que consigam expressar a beleza da mensagem evangélica.
