Santos Populares

Colaboração dos leitores O mês de Junho é, por tradição, o mês dos Santos Populares: Santo António, S. João e S. Pedro.

Serão os santos que são populares ou foi o povo que assim os tornou? Esta última versão parece a mais correcta, pois que os seus respectivos dias litúrgicos, são acompanhados de brincadeiras, por vezes excessivas, um pouco por todo o lado.

Santo António tem honras de primeira em Lisboa; S. João no Porto e em Braga e S. Pedro em Vila Real, o que não quer dizer que não sejam recordados, venerados e festejados em muitos outros lugares.

E a verdade das suas vidas onde está? Será que todos os conhecem? Façamos um pequeno bosquejo.

Santo António nasceu em Lisboa, junto à Sé, onde teria feito os seus primeiros estudos. É pois um Santo português. Foi depois para Coimbra, onde professou nos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho do Convento de Santa Cruz. Tocado pela sorte e martírio dos Santos Mártires de Marrocos, fez-se franciscano. Tentou seguir-lhes as pisadas, mas em Marrocos, atacado de doença, teve de regressar à Europa, concretamente à Sicília. Como se tivesse revelado grande pregador, mandaram-no ensinar Teologia em Bolonha, tendo percorrido o sul da França pregando contra as heresias. Fixou-se em Pádua, onde morreu aos 40 anos. Esta razão faz com que muitos o conheçam por Santo António «de Pádua». O melhor e o mais exacto é considerá-lo Santo António «de todo o mundo». Um ano após a sua morte foi canonizado; os inúmeros milagres obtidos por seu intermédio fazem dele um dos maiores taumaturgos. Chamam-lhe «santo casamenteiro», mas de facto ele é patrono dos louceiros. As suas imagens mais conhecidas apresentam-no com um livro na mão e o Menino Jesus em cima, que lhe terá aparecido inúmeras vezes. A sua festa litúrgica é a 13 de Junho.

S. João Baptista tem a sua festa litúrgica a 24 de Junho, data do seu nascimento, coisa que só acontece com Nossa Senhora, e isto porque o Evangelho nos conta que foi santificado no ventre de sua mãe, Santa Isabel, e por isso nasceu purificado do pecado original. Com Nossa Senhora as coisas não se passaram de modo igual, uma vez que Ela foi imune do pecado original. A Santa Igreja costuma comemorar, não o nascimento terreno dos santos, mas a sua morte, ou seja o nascimento para a Vida Eterna. Levou uma vida de extraordinária penitência e teve a dita de baptizar Jesus nas águas do rio Jordão. Viveu longo tempo no deserto, e quando começou a sua pregação não teve medo de se opor ao poderoso Herodes Antipas que vivia com a mulher de seu irmão, em escandaloso adultério. Isso valeu-lhe a prisão e morte por decapitação. A 29 de Agosto a Igreja celebra o seu martírio. É o santo padroeiro dos alfaiates, peleiros e cor-reeiros, por alusão ao seu modo de vestir: usava uma pele de carneiro e um cinto de couro. Como mártir é padroeiro dos presos e condenados à morte e também dos músicos…

S. Pedro é o maior dos Apóstolos em dignidade, uma vez que foi a ele que Jesus mudou o nome próprio – Simão – em Pedro, que quer dizer «pedra», pois foi ele o primeiro sucessor de Jesus, isto é, o primeiro Papa. Foge no momento da prisão de Jesus, nega-O por três vezes com juramento, mas como o amor pelo Mestre era superior à sua fraqueza, arrependeu-se e recebeu o poder de confirmar os irmãos na fé e o poder de jurisdição. Segundo a tradição, são-lhe atribuídos muitos símbolos: as chaves (dos Céus, que Jesus lhe confiara); a barca, por alusão ao seu ofício de pescador de peixes, antes de o Senhor o fazer «pescador de homens»; o galo, pois foi o seu cantar que lhe despertou a consciência que tinha atraiçoado o Mestre; as cadeias, que recordam a sua prisão em Jerusalém, donde foi libertado por um Anjo; a cruz invertida, que recorda o seu martírio, pois ele, no tempo de Nero, em Roma, foi crucificado de cabeça para baixo, por vontade expressa. A sua festa litúrgica é a 29 de Junho e com ela se encerram os festejos populares de três santos, que, pelo que lemos, foram extraordinariamente penitentes, contrastando com os muitos excessos que se verificam nas festas populares.

Maria Fernanda Barroca

NOTA: Muitos dos factos aqui narrados foram recolhidos no livro Dicionário dos Santos de Jorge Campos Tavares – Lello & Irmão Editores.