Jovens missionários encontraram-se com o Bispo de Aveiro

É a Diocese de Aveiro que parte em Missão. É a Diocese que está em Missão, cá, lá e onde for preciso! Quase no fim da formação propriamente dita, os voluntários encontraram-se, a 10 de Junho, com o Bispo da Diocese.

Naquela manhã de sábado, o Bispo de Aveiro não falou sustentado em conceitos teológicos, de conhecimento pastoral ou teórico. Contou com isso, mas sempre em testemunho, em saber de experiência própria pelos tempos de Missão que passou em Moçambique e na Guiné, nos anos de 1968 e 1973-74, em ambiente de Guerra, em países que não viam com bons olhos os brancos, muito menos os portugueses de quem se queriam independentes.

“A Missão é dar no duro, é passar necessidades e dificuldades. É não ter tudo o que precisamos durante um mês e meio… Mas vamos para junto de gente que não tem durante anos e anos” – explicou D. António.

A Missão é abertura, é amor aos outros através de Jesus Cristo. Esta é a carga principal que se deve levar na bagagem: o Amor, o Espírito e a Graça! O resto é o mínimo!

O amor é a bomba mais explosiva do mundo, como dizia D. Hélder da Câmara! É o instrumento que pode mudar tudo e é inseparável do ser missionário!

D. António partilhou com os voluntários sobre uma família de idosos que conheceu em tempos. Ao visitá-los, vindo embora, perguntaram-lhe se não ia visitar o doente da casa. Entrou num quarto, onde estava um filho, já de idade, imóvel, sem reacção, com um olhar distante. O filho – explicou a mãe idosa –, nunca respondeu a nada, nunca deu um sinal. A própria mãe duvidava que ele a conhecesse. No entanto, aquela mãe, todos os dias, esteve lá sempre, num amor gratuito sem nada em troca. É este o radicalismo que se exige à Igreja, à Missão! Este amor que é de todos os dias, no testemunho, na voz das causas dos mais pobres, não é só no tempo que se está longe de casa, é sempre, todos os dias desde já! Sem estar à espera da aparência como aquelas pessoas que ficam “enfunadas” a primeira vez que não se lhes agradece ou se lhes reconhece publicamente! A Missão é a discrição, o anonimato do Amor, do Eu… porque o Importante é o outro e a sua voz!

D. António enquadrou a experiência na Diocese, nos centros de Missão que acolhem os voluntários. Alertou para o facto de não irem fazer a obra própria. Vão continuar e contribuir para uma obra já começada, vão envolver-se numa obra que é de todos, em nome da Diocese de Aveiro e na sua colaboração para as Missões “ad gentes”.

Os voluntários têm de deixar cá tudo o que é supérfluo. Na simplicidade das palavras de Teresa de Calcutá está a solução para o caminho a trilhar. Quando lhe perguntaram, depois de lhe ser atribuído o Nobel da Paz, “Irmã, o que fazer para acabar com a fome no mundo?” “Repartir o pão que tenho com o primeiro que encontrar com fome!” – foi a resposta. Nada mais simples e tão exigente ao mesmo tempo! Tão exigente que só com abertura ao Espírito se pode assumir tal atitude.

Encontro Nacional de Voluntários Missionários

No primeiro fim-de-semana de Junho, aconteceu o encontro nacional de voluntários portugueses, por países de destino missionário. Em Fátima, o objectivo foi reunir todo o país para conhecer o país em que os voluntários irão trabalhar e talvez se cruzar, desde os aspectos mais comuns do quotidiano, a dados culturais e à especificidade da presença da Igreja. Como nos encontros anteriores, houve espaço para “ouvir quem lá esteve”, procurando perceber, a partir desses testemunhos, que situações esperam os voluntários missionários.

Entre 1986 e 2004, as entidades de Voluntariado Missionário em Portugal cresceram, ultrapassando as quatro dezenas. No total, já partiram em missão mais de dois mil voluntários portugueses, tanto por períodos de tempo mais limitados (no Verão) como em projectos de mais longa duração. A Diocese de Aveiro, desde 1997, contribuiu com mais de uma centena de voluntários e alguns projectos de ajuda humanitária às missões.

O Correio do Vouga ouviu alguns voluntários sobre este encontro. “Foi muito grande, porque todos os minutos foram muito intensos: a partilha de grupo, o diálogo, as motivações; a fé que nos move”, afirma Marta Oliveira.

Segundo Mariline, o encontro significou “um despertar para uma nova realidade”. “Estar com gente que partilha o mesmo sonho, a mesma força e vontade de ajudar, de conhecer, de mudar” foi muito importante para a voluntária que está a preparar-se para partir para a Amazónia.

Para a Leonor, “foram momentos de consciencialização do muito que há para saber e fazer, um tempo de reafirmação da vontade que cresceu dentro de mim em estar com quem precisa e ajudar no que é necessário”.

O envio

No Dia da Igreja Diocesana conclui-se a primeira etapa de formação. Chega a hora de esquecer tudo o que se aprendeu nos livros e ir para o terreno com uma ferramenta apenas: o Amor gratuito, à semelhança do que fez aquele jovem rebelde da Galileia! O Amor gratuito àqueles que não nos podem agradecer é a nossa possibilidade de entrar no mundo da História, em vez de andar no mundo da historieta, não pela importância de ser missionário, mas pelo destino da Missão! O mensageiro não é importante; a mensagem é que é: o Amor e a sua entrega até ao fim!

Dentro de dias, 25 voluntários da nossa Diocese partem em Missão. Partem para uma experiência breve, suportada financeiramente por cada um, mediante as suas possibilidades, e suportados espiritual e formativamente pela Diocese de Aveiro. Durante quase cerca de nove meses, os candidatos a voluntários fizeram uma preparação, da responsabilidade do Secretariado Diocesano de Animação Missionária. Não foi fácil, nem simples, nem de ânimo leve! Agora, os voluntários estão no início de uma grande caminhada ao serviço de Deus que passa por Angola, Moçambique, Brasil ou Timor.