Tragédia ao cair do pano – parte II

Oliveirense 2 – 1 Beira-Mar O Beira-Mar somou a segunda derrota consecutiva, deixando-se novamente surpreender perto do apito final do árbitro e quando esteve sempre mais perto de poder vencer o encontro. Os estragos não foram maiores porque o Portimonense perdeu em casa, mas a margem de erro agora é praticamente nula

A circunstância

Estádio Carlos Osório em Oliveira de Azeméis; 712 espectadores. Árbitro: Carlos Xistra (Castelo Branco); Golos: Ronaldo 8’ e Humberto 90+4’; Hélio 70’.

Antevisão

O percurso recente da Oliveirense metia respeito: 5 vitórias em outros tantos jogos. O último desaire da equipa de Oliveira de Azeméis datava de 10 de Janeiro, quando perdeu por 3-1 na deslocação a Portimão, onde mora o 2.º classificado.

O Beira-Mar, na ressaca da derrota caseira ante o Fátima, procurava voltar aos triunfos e logo perante um adversário directo que tem trepado (e de que maneira) na tabela classificativa.

O jogo

Num terreno pouco propício à prática de futebol, começaram melhor os anfitriões que cedo se adiantaram no marcador. Na sequência da cobrança de um livre na esquerda do seu ataque, Ronaldo, em claro fora-de-jogo, atirou de cabeça para o fundo da baliza. Com um futebol mais envolvente, os auri-negros souberam responder à desvantagem, mas apenas aos 70’ lograram empatar a contenda. Hélio correspondeu da melhor maneira a um cruzamento de Rondon, e se à primeira Jorge Silva ainda defendeu, o beiramarense teve os reflexos de recarregar de cabeça para a baliza escancarada. Faltavam 20’, a equipa de Jardim forçava o ataque, mas o guarda-redes adversário estava em “dia sim” e negava golos feitos aos aveirenses. No último dos minutos de desconto do árbitro, um livre junto à linha de meio-campo permitiu aos locais o “chuveirinho” para a área de Bruno Conceição. Este não segura a bola, que fica à mercê do recém-entrado Humberto, que fixa o resultado.

Relvado

O deplorável estado do relvado da Oliveirense é notícia desde que motivou o adiamento do jogo frente ao Porto para a Taça de Portugal. De então para cá, e face ao rigoroso Inverno que se verifica, as melhorias não têm sido muitas. No sábado foi mais um obstáculo à qualidade de jogo que o Beira-Mar reconhecidamente demonstra.

Árbitro

Apesar das culpas próprias em novo desaire, o Beira-Mar sai com fortes motivos de queixa da arbitragem de Carlos Xistra. O primeiro golo dos locais é obtido em fora-de-jogo e há uma clara mão na bola já perto do fim do jogo na sequência de um canto no ataque auri-negro. Já na expulsão de Pedro Araújo após o segundo golo, por protestos, merece o benefício da dúvida.

Leonardo Jardim

(treinador do Beira-Mar):

“Nunca pensei perder este jogo, sobretudo pela forma como ele se estava a desenrolar. Não se previa que fosse a Oliveirense a fazer o segundo golo sendo que o resultado não condiz com o que se passou em campo”.

Pedro Miguel

(treinador da Oliveirense):

“Os jogadores estiveram concentrados e acreditaram na vitória até ao apito final. É muito difícil jogar bem neste terreno”.

A jornada

Os danos da derrota não foram maiores porque o Portimonense sofreu um surpreendente desaire caseiro com o Trofense (1-3), que curiosamente também tinha vencido em Aveiro. Também o Santa Clara foi batido pelo Feirense por 2-1. Os aveirenses mantêm então a liderança com apenas 1 ponto de vantagem sobre Portimonense e Oliveirense. Feirense e Santa Clara estão a 4 pontos do líder. Na próxima jornada o Beira-Mar recebe o Estoril, a Oliveirense joga em Chaves, o Portimonense em Freamunde e o Feirense em Penafiel.

Nuno Caniço