“Passemos à outra margem!”

Bispo de Aveiro apelou à Comunhão e ao compromisso cristão No Dia da Igreja Diocesana, no Santuário de Nª Srª de Vagos, D. António Marcelino exortou à comunhão, contra o “individualismo dos projectos que não coincidem com os do Senhor Jesus”, e desafiou a Igreja a passar à outra margem, ou seja, ir ao encontro dos problemas do mundo.

“Passemos à outra margem. Não fiquemos na margem pequena dos nossos interesses e egoísmos. A Igreja é chamada cada dia a passar à outra margem, onde estão os que necessitam. Por vezes, faz tempestade e parece que o Senhor está dormindo. Provamos e experimentamos, assim, a verdade da nossa fé”. Com a expressão do Evangelho e palavras incisivas, D. António Marcelino apelou, no último domingo, Dia da Igreja Diocesana, ao compromisso apostólico dos cristãos na sociedade. “A Igreja não se deve agoniar com os problemas existentes”, disse. Pelo contrário, os cristãos devem adoptar uma mentalidade de peregrinos, pois “o peregrino sabe para onde vai e vai em grupo; por isso, não desiste”. Sublinhando a importância do compromisso cristão no mundo, o Bispo de Aveiro repetiu uma expressão que lhe é muito cara: “O templo é lugar de passagem. Vamos lá para nos alimentarmos com a Palavra e a Eucaristia. Mas, depois, partimos à nossa vida.”

“Passar à outra margem” é um imperativo que deriva da missão da Igreja, mas é igualmente uma necessidade para a sua sobrevivência. “Se não formos, essa margem invade o que somos”. [Os critérios e valores da outra margem] “também estão entre nós”, reconheceu o Bispo de Aveiro, fazendo com que “se gaste tempo e energias em projectos que não constroem Comunhão” e enfraquecendo a força de Deus.

O valor da Comunhão, entendido como característica e objectivo da Igreja, foi realçado pelo Bispo de Aveiro, num dia que existe precisamente para mostrar e promover a comunhão de paróquias, movimentos, serviços e cristãos à volta do seu bispo. “Tudo na Igreja deve conduzir à realização da Comunhão, visível na unidade da Igreja”, disse D. António. “O que está contra a Comunhão é contrário ao Evangelho. É preciso deixar crescer a semente que dá frutos de amor, estímulo e acolhimento, e matar a semente que desagrega”, disse, referindo-se ao individualismo, ao “cada um a pensar apenas em si”. Este individualismo deve ser igualmente entendido numa perspectiva pastoral: quando os cristãos, os movimentos e as paróquias não se unem, tornam-se insignificantes no meio, onde deviam ser sinal de Deus.

Na celebração eucarística que encerrou o Dia da Igreja Diocesana e foi participada por largos milhares de pessoas, apresentou-se o diácono João Paulo, que será ordenado padre no dia 9 de Julho, na Sé de Aveiro, e os 25 jovens que este ano fazem uma experiência de voluntariado missionário (ver página 4). Foram ainda entregues aos principais responsáveis pastorais (arciprestes, representado os párocos, e directores de serviços) as directrizes pastorais para o ano 2006/07, que tem como lema “A Igreja ao Serviço da Família”.