Portugal1 – 0 Holanda Portugal e Scolari parecem talhados para jogos verdadeiramente emotivos: depois do Portugal-Inglaterra do Euro 2004, outra partida dramática, onde não faltaram casos, cartões e a emoção à flor da pele. Segue-se a Inglaterra, sábado, 1 de Julho, nos quartos de final.
A circunstância – Estádio Nuremberga. Portugal, 1º classificado do grupo D, defronta a Holanda, 2º classificado do grupo C. Os portugueses estão em minoria no estádio, devido a uma distribuição desigual de bilhetes (apenas 5%!).
Valentin Ivanov – Começar uma crónica de jogo pelo árbitro é sintomático! O russo conseguiu bater o record de cartões mostrados (20!!!) numa partida de um Mundial. Se as expulsões de Costinha e Boulahrouz pecaram por tardias, a de Deco é escandalosa e representa um duro golpe nas aspirações portuguesas para o jogo frente a Inglaterra. Num encontro de alta tensão, conseguiu dinamitar ainda mais o ambiente.
Maniche – É o homem dos grandes momentos! O melhor marcador português no Euro 2004 voltou a ser decisivo, depois da brilhante exibição ante o México. Portugal não tinha começado bem o encontro; Ronaldo já estava em défice físico; mas o médio marcou outro grande golo aos holandeses. A equipa soltou-se e Pauleta esteve perto do 2-0; mas Costinha havia de fazer das suas…
Costinha – Dia “não” para o trinco: viu-lhe ser perdoado o segundo amarelo, mas pouco antes do intervalo não resistiu a colocar a mão à bola num lance escusado. Ele e Deco serão as baixas de Portugal no próximo sábado por motivos disciplinares.
Sofrimento – A etapa complementar foi um sufoco para a equipa das Quinas. Jogando quase sempre em inferioridade numérica, os lusitanos foram encostados à sua área, mas cerraram os dentes e aguentaram, até ao último sopro de Ivanov, a magra vantagem alcançada.
Fair play – Por volta do minuto 70, a Holanda quase marca num remate frontal à baliza portuguesa, interceptado por Ricardo Carvalho que oferece o corpo á bola, mas fica lesionado. Esta fica na posse de Deco, que se isola frente a Van der Sar, mas o árbitro interrompe a partida para assistência ao central. Na reposição, os holandeses não devolvem a bola (por que razão não foi esta à partida concedida aos portugueses pelo árbitro?!) e iniciam um ataque perigoso, ante a apatia e perplexidade dos nossos jogadores. Foi o momento em que o árbitro perdeu o controlo da partida.
Declarações – Assim como não é muito comum ver o Presidente do Conselho de Arbitragem criticar as arbitragens portuguesas, ainda que muitas delas vergonhosas, foi no mínimo interessante ouvir o Presidente da FIFA, Sepp Blatter, criticar a arbitragem de Ivanov. Segundo ele, “definitivamente, não foi o dia do fair-play, mas no final da partida os jogadores entendem-se. A arbitragem não esteve ao nível das selecções.” Tudo isto, numa prova em que os árbitros têm estado em bom plano, pelo menos tendo o Mundial da Coreia e Japão como termo de comparação.
Nuno Caniço
