Portugal e Canadá cooperam na investigação dos recursos marinhos

Portugal e o Canadá reforçaram as suas seculares relações marítimas com o incentivo da cooperação científica na área da investigação e preservação dos recursos pesqueiros, realçou o Embaixador do Canadá em Portugal, Patrick Parisot, na apresentação do livro “A economia marítima existe”, que decorreu no Museu Marítimo de Ílhavo.

O diplomata canadiano afirmou que “os recursos marítimos são finitos e devem ser preservados, para que continuem a existir para as gerações futuras”, facto que não aconteceu no passado, incluindo nos mares do Atlântico Norte, nos quais os pescadores portugueses já operavam no início do século dezasseis, mares onde “parecia que os recursos nunca se esgotavam”.

Mas “sabe-se agora que os recursos marítimos têm limites”, sublinhou Patrick Parisot. Por esse motivo, e a exemplo do que acontece com a maioria dos países que viveram intensamente da pesca, “Canadá e Portugal estão a sofrer pelas políticas passadas, que não tiveram em consideração os recursos marítimos”, referiu o embaixador.

Apesar das limitações impostas pelo Canadá às frotas que operam nas suas águas territoriais, incluindo os navios portugueses, as relações entre Portugal e o Canadá são boas, mesmo no domínio marítimo, como garantiu o diplomata do Canadá, que apontou como exemplo dessa boa relação a assinatura, em Outubro de 2005, de um acordo de cooperação científica entre os dois países, que neste momento envolve as universidades dos Açores e do Quebeque, para estudar os recursos marítimos. Em 2007, os resultados preliminares desse trabalho conjunto serão apresentados num seminário internacional.

Para Patrick Parisot, “o importante é que os cientistas esqueçam a sua nacionalidade e se concentrem na ciência e desenvolvam estudos e diagnósticos sobre os recursos dos mares”, porque os cientistas “dizem que há problemas de recursos pesqueiros no mar”.

O presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Ribau Esteves, não duvida que “a economia marítima existiu, existe e existirá”, e será mais reforçada se todos os que têm responsabilidade no sector passarem “dos livros «Brancos» e do livros «Verdes» sobre a economia marítima, livros onde se fala muito, para o trabalho prático”, e se conseguirem “retirar o ensinamento do passado e reaplicá-lo no futuro”.

O coordenador do livro, Álvaro Garrido, salientou que essa obra dá um contributo na resposta a questões como: “o que é e quanto vale a economia marítima portuguesa” e “para onde vai a economia marítima portuguesa”.

C.F.