Santo António de Vagos Os agricultores de Santo de António de Vagos estão a “perder a paciência” com uma situação que se tem repetido nos últimos anos: destruição das culturas pelos javalis.
Américo Pinheiro é um dos agricultores prejudicados. Numa das suas terras, de onde poderia tirar este ano 1200 quilos de milho, o milho foi completamente destroçado pelos javalis. “Para o ano volto a semear milho? O INGA [Instituto Nacional de Garantia Agrícola] subsidia os agricultores para os animais comerem?”, interroga-se o agricultor de 62 anos.
Em Santo António de Vagos, serão 70 a 80 agricultores afectados pelos javalis, ainda que muitos pratiquem uma agricultura apenas para consumo próprio. Os animais estão cada vez mais familiarizados com a população, pelo que deixam os pinhais das redondezas e entram já pelos quintais, normalmente com o cair da noite. Segundo Horácio Julião, agricultor afectado nos anos anteriores, casos houve em que foi necessário semear de novo o milho, pois os animais “esburacavam o terreno todo à procura do grão de milho, húmido, prestes a germinar”. Este agricultor sugere a criação de áreas próprias para os animais, não só para javalis, mas também para esquilos e texugos, que também existem por estes lados. “São ‘espécies protegidas’, não é? Mas a gente é que as protege, é que lhes dá alimento”, reclama.
Albino Silva, presidente da Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro, considera “lamentável que os organismos oficiais não venham ver os prejuízos” e exige que os agricultores lesados sejam indemnizados. A Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral e a Direcção Geral dos Recursos Florestais descartam responsabilidades e reclamam a acção do Clube de Caçadores de Vagos. Este clube, sediado em Ponte de Vagos, todos os anos faz duas batidas ao javali, em Fevereiro-Março, devidamente autorizadas, conforme referiu ao Correio do Vouga José Salvador. Contudo, devido à elevada taxa de reprodução dos animais, as capturas poucas diferenças fazem numa população javali cada vez maior.
J.P.F.
