As minhas ovelhas ouvem a minha voz;
Eu conheço-as e elas seguem-Me; e Eu dou-lhes a vida eterna.
As suas ovelhas encontram pastagem, porque todo aquele que O segue na simplicidade de coração é nutrido com um alimento de eterna frescura. Que são afinal as pastagens destas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempre verdejante? O alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem interrupção, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida.
Procuremos, portanto, irmãos caríssimos, alcançar estas pastagens, onde poderemos alegrar-nos na companhia dos cidadãos do Céu. A alegria festiva dos bem aventurados nos estimule. Reanimemos o nosso espírito, irmãos; afervore-se a nossa fé nas verdades em que acreditamos; inflame-se a nossa aspiração pelas coisas do Céu. Amar assim, já é caminhar.
Nenhuma contrariedade nos afaste da alegria desta solenidade interior. Se alguém, com efeito, deseja atingir um lugar determinado, não há obstáculo no caminho que o demova do seu intento. Nenhuma prosperidade sedutora nos iluda. Insensato seria o viajante que, contemplando a beleza da paisagem, se esquecesse de continuar a sua viagem
até ao fim.
S. Gregório Magno
S. Gregório Magno (540-604) foi eleito papa no ano 590, depois de ter sido governador da cidade de Roma (“Praefectus Urbis”). Como papa promoveu profunda reforma na Igreja e deixou escritos espirituais que ainda hoje merecem ser lidos, como a “Regra Pastoral”. A ele se deve a adopção do canto “gregoriano” na liturgia. A sua memória litúrgica celebra-se a 3 de Setembro. No domingo passado, Bento XVI recordou na oração do Ângelus que a sua “singular figura” “é um exemplo que precisa ser apresentado tanto aos pastores da Igreja como aos administradores públicos”.
