1. Na porta do céu – Quando o papa João Paulo II morreu, foi directo para o céu. Bateu com força na porta e uma voz perguntou: “- Quem é?”
“- Sou João Paulo, o segundo”.
“- Pois vá embora, aqui não tem lugar para dois”, disse a voz. E João Paulo, o segundo, foi mandado para o purgatório. Tempos depois, mais tímido, voltou ao céu.
“- Quem é?”, perguntou a voz. “- Sou eu”, respondeu João Paulo, “o papa”.
“- Aqui não tem lugar para dois”, repetiu a voz.
João Paulo II voltou para ao Purgatório. Um dia (tudo muito rá-pido…), tornou a bater suavemente na porta do céu.
“- Quem é?”, perguntou a voz. “- Um pedacinho de Deus”, respondeu.
E a porta do céu se abriu (Lida e re-inventada, por mim, a partir do espantoso Paulo Coelho).
2. O sapo cozido (ou o complexo do sapo) – Se você colocar um sapo numa panela com água a ferver, em ebulição, a 100 graus, ele por certo reagirá rapidamente e pulará fora da panela.
Porém, se você colocar o mesmo sapo numa panela com água fria e colocar essa panela no fogo, o sapo não pulará. Ficará quieto sentindo a água a aquecer, aquecer, aquecer, até que morrerá cozido (Lida em Luiz Marins, que a recolheu nos livros de Peter Senge).
3. Mentiroso ou honesto – Certo dia, um amigo honesto disse a um mentiroso amigo: “- Eu estou mentindo”. E acrescentou: “Se a minha afirmação for falsa, isso quer dizer que não estou mentindo, o que contradiz a minha afirmação feita. Mas, se ela for ver-dadeira, então a afirmação será falsa – ao dizer que estava mentindo eu disse a verdade e logo não estava mentindo”. O outro replicou: “- A afirmação é verdadeira se for falsa e falsa se for verdadeira! O que é dito nega implicitamente o que se diz” (Lida e adaptada, por mim, em “Auto-engano” – Eduardo Giannetti, pp.217-218, n.27).
4. O pintor que não pintou o Tejo – Uma história breve (que asseguraram ser verídica…): “Nos anos 40, Raoul Duffy veio a Portugal. Um dia, ao atravessar o Tejo num passeio de barco, gostou da paisagem, abriu a pasta e começou a pintar. Passado um tempo, um homem que observava o seu trabalho exclamou: “- Isso é uma porcaria! Não é assim o nosso Tejo!” E agarrou nos papéis de Duffy, amarfanhou-os e atirou-os à água” (Lida em “Portugal, Hoje: O Medo de Existir” – José Gil, pp.106-107).
Continue a pensar nestas histórias espantosas, porque a vida não tem nada de espantoso?! A justificativa e a chave de leitura para estas e todas as histórias espantosas, encontro-as na arte de repensar do místico Anthony de Mello, falecido em 1987: “O melhor teólogo é o que sabe explicar a teologia como Jesus Cristo: por meio de contos, sem conceitos, através da vida, como fazia Jesus com as suas parábolas e com seus feitos na vida cotidiana” (…) Nossa vocação é para sermos “Cristo”, e não cristãos. Para sermos sensíveis e abertos para as pessoas e para a vida. Para sermos livres (cfr. história nº1), directos (cfr. história nº2), inconsistentes (cfr. história nº3), imprevisíveis (cfr. história nº4), como Ele foi” (“Auto-libertação” – Anthony de Mello, SJ, pp.85 e 88). Cada história aponta caminhos de libertação. Qual é o caminho por si escolhido?
