Olhar para o futuro sem perder o passado

Revistas “Praxis” e “Igreja Aveirense” “Praxis” e “Igreja Aveirense”. Duas revistas, duas missões. Uma abre caminhos; a outra constrói a memória. Ambas de elevado interesse.

Com a diferença de dias, saíram a público duas revistas da responsabilidade de organismos da diocese de Aveiro: o quarto número da “Práxis”, editada pelo Instituto Superior de Ciências Religiosas, e o terceiro número (primeiro do segundo ano) da “Igreja Aveirense”, editada pela Comissão Diocesana da Cultura. Duas revistas diferentes nos seus objectivos, mas complementares para quem quer ficar com a memória da igreja diocesana (“Igreja Aveirense”) ou deseja progredir no conhecimento teológico (“Práxis”).

Vejamos o que cada uma delas nos oferece. A “Praxis” apresenta seis textos de teologia ou de áreas adjacentes. Destacam-se os ensaios de Georgino Rocha, sobre “Função dos bens e consumo responsável”, e de Luís Silva, “Eugenismo – rejeição da minha finitude tornada presente no outro”.

Numa sociedade onde cada pessoa parece valer pelo que produz e consome (há dias, escrevia Leonel Moura no Jornal de Negócios: “A felicidade praticamente desapareceu dos programas políticos e só encontra, por estes dias, ainda algum vestígio nalguma cultura menos mundana. Hoje a felicidade reduziu-se ao consumo.”), Georgino Rocha propõe uma ética do consumo responsável, partindo da função dos bens segundo a Doutrina Social da Igreja. Ora, para esta, os bens de consumo são um meio indispensável para realizar a vocação humana. O homem é senhor dos bens e não o contrário. Por isso, é necessário uma ética (um dever ser) do consumo, que nos faça evitar o consumo imoderado, que nos leve a procurar mais justiça no processo produção-consumo, que eduque para a solidariedade, que leve a adoptar estilos de vida mais ecológicos e socialmente responsáveis.

Luís Silva, no seu texto de bioética, levanta uma questão: não será o eugenismo (isto é, a teoria e prática da selecção dos melhores, quer do ponto de vista físico quer mental, nomeadamente eliminando os seres humanos “defeituosos”) uma recusa da “verdadeira natureza do homem, frágil e marcada pela finitude”? O autor defende que “o eugenismo realiza-se em actos e factos que dimanam da recusa última da finitude humana e, em particular, da recusa da minha própria finitude, de que a presença frágil e vulnerável de um outro é afirmação incómoda”.

Outros ensaios deste número da “Praxis”: Obediência e autoridade, de Manuel Alte da Veiga; “A dinâmica da vida eclesial a partir do pensamento de Rémi Parent”, de Deolinda Serralheiro; “A Aliança: ontem, hoje e por toda a eternidade”, de Ângela Fátima Coelho; e “A sedução dos dualismos. Ciência, New Age e Catolicismo nas obras de Dan Brown”, de José Eduardo Franco e Vítor Vaz Silva.

Este número da “Igreja Aveirense” reparte as suas 254 páginas por textos de D. António Marcelino, dos serviços diocesanos (secretariados, conselhos, movimentos laicais, institutos religiosos, arciprestados, etc.), ou relativos a publicações, homenagens e efemérides.

Sem desconsiderar outros escritos, destacamos alguns textos de D. António Marcelino: as catequeses quaresmais, a reflexão quaresmal ao clero, os textos do tríduo pascal, comunicações dirigidas a catequistas e professores, a homilia da Bênção dos Finalistas e da festa de Santa Joana.

Se é certo que alguns dos textos aqui recolhidos interessam quase exclusivamente aos agentes de pastoral mais comprometidos, muitos outros dizem respeito aos cristãos em geral. Impressa num tipo de letra muito agradável, a “Igreja Aveirense” cumpre a missão inestimável de recolocar esses textos nas nossas mãos.

J.P.F.

Praxis

Revista do Instituto Superior de Ciências religiosas de Aveiro

N.º 4, 136 páginas

Assinatura e pedidos:

ISCRA, tel. 234 379 880

Igreja Aveirense

Comissão Diocesana da Cultura

Ano II, N.º 1

Pedidos: CUFC, Centro de Acção Pastoral, Cúria Diocesana