“A confiança em Deus cultiva-se”

Bodas de Prata sacerdotais de Frei Silvino Há 19 anos no Carmo de Aveiro, Frei Silvino está a comemorar as Bodas de Prata Sacerdotais.

Como prenda recebeu um livro que recolhe as suas homilias.

Durante três anos, as homilias dominicais de Frei Silvino, na missa das 18h30, do Carmo de Aveiro, foram gravadas em segredo. Frei Silvino de nada sabia, pelo que ficou admirado quando, no dia 27 de Setembro, ao completar 25 anos de ordenação presbiteral, recebeu o livro “Alegrai-vos! Homilias do Frei Silvino”.

Foi uma prenda nas Bodas de Prata Sacerdotais de Frei Silvino e “uma prenda para todos nós”, na expressão de Fr. João Costa, superior do Carmo, que escreve na introdução: “São muitos os que o escutam há anos a fio. Que não se cansam de ouvi-lo. Que não querem deixar de ouvi-lo. Agora têm um livro de homilias dele. É um livro para a cabeceira da cama, para a mala de viagem ou mochila da praia. Jamais será uma leitura pesada, dá para ler em qualquer lugar. Abrindo as suas páginas, ali se podem encontrar palavras da Palavra, sabedoria de antanho, dedos de profetas, carícias de Maria, estímulo para o combate, poesia recriadora, bálsamo discreto para feridas profundas, sussurro, festa jubilosa, gente feliz com lágrimas, vidas de santos, vidas de fé, anedotas. Anedotas?! Sim, as anedotas também visitam as suas homilias. Conhece a anedota das galinhas do senhor Abade? Não? Pois, vá de ler o livro”.

Silvino Teixeira Filipe nasceu na Gafanha da Nazaré em 1954. Após os estudos secundários no Liceu da Aveiro, entrou no Seminário Carmelitano de Fátima, em Fevereiro de 1974. No ano seguinte faz a profissão simples (21 de Setembro) e solene (16 de Novembro), adoptando o nome religioso de Frei Silvino do Coração de Jesus e Maria. Depois dos estudos teológicos no Porto e em Salamanca, é ordenado padre por D. Manuel de Almeida Trindade, na Igreja da Gafanha da Nazaré, no dia 27 de Setembro de 1981.

Espiritualidade do Carmo

Frei Silvino vive no Convento do Carmo de Aveiro desde 1987, onde celebrou pela primeira vez no dia 20 de Julho, dia de Santo Elias. (A Ordem do Carmo nasceu no Monte Carmelo, na Palestina, sob a égide do profeta Elias). Antes disso, foi formador dos seminários de Viana do Castelo e Fátima e animador da pastoral juvenil e vocacional da ordem.

Em Aveiro, o frade carmelita foi superior do Convento no triénio de 1993-1996. Além de corresponder às solicitações exteriores ao Convento, tem-se dedicado a grupos de jovens (o universitário “Sal da Terra” ou o do Renovamento carismático “Adoramus te”) e de espiritualidade carmelita, como o Carmo Secular, o grupo bíblico ou o grupo missionário.

“Muitas pessoas identificam-se com a espiritualidade do Carmo. Dizem: «O Carmo é a minha segunda casa»”, afirma Frei Silvino. E como é a espiritualidade do Carmo? “Reside na procura da presença e intimidade com Deus”, responde Frei Silvino ao Correio do Vouga. “Como guias, temos Maria e as lições de Teresa de Ávila e João da Cruz”, acrescenta, fazendo notar que há ritmos diferentes. “Estamos todos à volta da fogueira, mas uns estão mais perto e aquecem-se mais e outros estão mais distantes, onde o calor chega menos”. Mais tarde acrescenta: “A confiança em Deus não é como o gramão, que nasce e não precisa de ser tratado. A confiança em Deus cultiva-se”. É para isso que o Carmo serve.

Autor de várias obras

Faceta talvez menos conhecida de Frei Silvino é a de autor. Além da recolha de homilias, o carmelita de Aveiro escreveu ou co-escreveu as seguintes obras: “Carmo de Aveiro”(história do convento de Aveiro, 1992), “Música Calada. Caminhando ao ritmo dos santos que o Carmo Descalço celebra” (subsídios de espiritualidade carmelita, 1998), “S. Rafael de S. José Kalinowski” (carmelita polaco, a quem João Paulo II ofereceu o anel, 1999), “Frei David da Virgem do Carmo, o mártir silenciado” (sobre o carmelita português morto na guerra civil espanhola, 2002), “Grava-me como um sinal no teu coração” (sobre o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, 2003).

Causa do Carmo de Aveiro

Frei David da Virgem do Carmo, nasceu em 1886, em Semide (Miranda do Corvo), e morreu em 1936, em Toledo (Espanha), com outros 16 frades carmelitas. Foram martirizados, entre os dias 22 e 31 de Julho desse ano, no decurso da Guerra Civil espanhola. O corpo de Frei David nunca foi encontrado. Paira sobre este mártir uma injustiça que o convento de Aveiro quer apagar. Enquanto sobre os outros frades corre o projecto de beatificação, sobre o mártir português, que colaborou na restauração da ordem em Portugal, reina o silêncio. Frei Silvino e Frei João Costa publicaram em 2002 (no centenário da profissão religiosa de Frei David) um opúsculo sobre o “mártir silenciado”. A memória deste mártir é um causa do Convento de Aveiro.