Ele sabe bem do que se trata

“Deus criou-me para fazer um serviço definido: confiou-me uma tarefa que não confiou a mais ninguém.

Eu tenho a minha missão. Talvez jamais a conheça nesta vida, mas na outra ser-me-á revelada.

Sou um anel de uma corrente, um vínculo de ligação entre pessoas.

Ele não me criou para o nada.

Executarei a sua tarefa. E a farei bem.

Serei um anjo de paz, um pregador da verdade no meu próprio lugar, ainda que apenas observando os seus mandamentos.

Por isso, confiarei n’Ele. O que quer que seja, onde quer que seja, jamais posso ser deitado fora.

Se estiver doente, que a minha doença o sirva.

Se estiver angustiado, que a minha angústia o sirva.

Ele nada faz em vão. Ele sabe bem do que se trata.

Ele pode levar meus amigos.

Ele pode lançar-me entre estranhos.

Ele pode fazer que me sinta desolado, fazer o meu espírito naufragar e esconder-me o futuro.

Em tudo isso. Ele sabe o que faz.”

John Henry Newman

John Henry Newman (1801-1890), inglês, converteu-se ao catolicismo, vindo do anglicanismo. Apesar de olhado com desconfiança por vários sectores católicos, por ser tido como “liberal”, foi responsável por tentar uma “aproximação da fé e do saber, da religião e da razão, da Igreja e da civilização” (Artur Mourão). A obra de J. H. Newman, que um dia escreveu que “o homem não é um animal raciocinante, mas um animal que vê, sente, contempla e actua”, inspirou o Segundo Concílio do Vaticano. Em português, saiu recentemente a sua principal obra: “Ensaio a favor de Uma gramática do Assentimento” (Assírio & Alvim, 2005).