A aquecer

Ponta de Lança Um pouco por todo o lado, a preocupação com os valores médios de temperatura é tema de reflexão, de perplexidade. É recorrente ouvirem-se os habituais estribilhos: “Nunca tal aconteceu…”, “desde que sou gente…”, etc.

Está tudo a aquecer! Em boa verdade, há indícios claros de que, pela primeira vez, o “clima” se aproxima do ponto sem retorno, e não estamos a enfatizar pormenores. Porém, as variações climáticas demonstram muita irregularidade, instabilidade.

Mas o ambiente está muito quentinho também na discussão do Governo com os parceiros sociais sobre todas as matérias: estatuto da carreira docente, justiça, ordenado mínimo, auto-estradas sem custos para o utilizador, finanças locais… O país está a aquecer!

Também é motivo para perturbação, para aquecimento, haver tanta carga fiscal e pagar-se tanta coisa, ou seja, pagamento duplo, triplo. Para que são os encargos fiscais?

Há impostos sobre o rendimento (Imposto sobre o Rendimento de pessoas Singulares, Imposto sobre o Rendimento de pessoas Colectivas), há impostos sobre a despesa (Imposto de Valor Acrescentado, Regime do IVA nas Transacções Intracomunitárias, Imposto do Selo), há impostos municipais (IMI – Imposto municipal sobre imóveis, IMT – Imposto Municipal sobre a Transmissão de Bens Imóveis, Imposto Automóvel, Imposto sobre Produtos Petrolíferos). Há taxas moderadoras e de internamento; há portagens; há taxas de aeroporto; há certidões, seguros, segurança social, adse, fotocópias, comprovativos, bilhetes para museu, bilhetes para tudo… Tudo se paga! Os impostos são mesmo uns impostores: estendem a mão e depois escondem a cara!

A justiça social talvez fosse mais imparcial, na administração do bem comum, se cada cidadão contribuísse com um único valor devido à sua existência; qualquer coisa tipo cartesiano… existes, logo pagas! Depois, aplicar-se-ia o princípio do utlizador-pagador; quem usa… paga ou vai a outro lado! Era fantástico, não era?

É que há coisas do diabo! Por exemplo, o imposto municipal sobre imóveis.

Cada pessoa, por ter um imóvel, tem de pagar a sua transação: herança, compra… Depois, o pobre do imóvel, mesmo que seja floresta virgem a debitar oxigénio para restabelecer os níveis no planeta terra, e que devia ser compensado por isso, ainda paga para existir! Ao lado, um terreno baldio, cheio de lixo, a poluir todos os estádios do ambiente, paga o mesmo ou menos! E se o imóvel for residência, mesmo que seja uma barraca para o pobre ou remediado passar a noite, também paga, e paga como urbano! É complicado de entender.

Por fim, é claro, um realce desportivo. Com o campeonato a avançar… a coisa está a aquecer, não está?

Desportivamente… pelo desporto!