PACOPAR apresentado na UA

Estarreja testa plano de emergência “Se as empresas querem conquistar a confiança da comunidade, têm que ter a segurança como princípio basilar”, afirmou o presidente da Câmara de Estarreja.

No seminário de apresentação do PACOPAR (Painel Consultivo Comunitário do Programa de Actuação Responsável) à comunidade académica da Universidade de Aveiro, o presidente do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO), Carlos Borrego, referiu que o DAO “tem vindo a fazer estudos na zona de Estarreja, dos mais variados, não só do ponto de vista dos gases tóxicos e perigosos que existem naquelas indústrias, bem como estudos sobre águas, subterrâneas e de superfície, e sobre resíduos”.

A Universidade de Aveiro, através do Instituto de Ambiente e Desenvolvimento (IDAD), está a participar na realização de estudos de impacte ambiental (EIA) para a ampliação de indústrias do Complexo Químico de Estarreja. No PACOPAR, Carlos Borrego: realça “a nossa missão vai ser aquela que é a da Universidade, que é fazer investigação, com base naquilo que são as preocupações da sociedade, neste caso transmitidas pelo PACOPAR, e darmos o apoio que se entender como relevante”.

O presidente da Câmara Municipal de Estarreja revelou que, no dia 22 de Novembro, irá decorrer um simulacro em Estarreja, para testar os planos de emergência em caso de acidente industrial químico.

O edil afirmou que “a segurança é um sinal de confiança. A confiança da comunidade implica que haja prévia segurança no que toca às empresas. Se as empresas querem conquistar a confiança da comunidade, têm que ter essa segurança como princípio basilar da sua actuação responsável”, até porque, como reconheceu José Eduardo Matos, “todas as actividades industriais comportam riscos. Há que assumir-mos todos esses riscos. Ou por acção voluntária das próprias empresas, ou por imposição legal, ou por pressão da consciência pública, temos que ter a capacidade de perceber que, para além do factor económico, há também a protecção ambiental e a protecção das pessoas. Nesta hierarquização, nós pomos as pessoas em primeiro lugar, pomos o ambiente em segundo e a economia em terceiro”.

Em prova disso, o autarca deu como exemplo o Eco Parque de Estarreja, o qual, em sua opinião, “não é mais um parque industrial, mas um parque que concilia ecologia com indústria, o que é também inovador em Portugal. É um sinal de que temos a consciência de que crescer em termos económicos implica ter a noção das questões relacionadas com as pessoas e o ambiente. A abertura que o Eco Parque fez à Universidade de Aveiro e aos ambientalistas é prova dessa grande exigência, mas não queremos que este diálogo fique centrado só no município de Estarreja, pelo que agora temos que arranjar outros parceiros que ainda nos tornem mais exigentes neste caminho que estamos a percorrer”.

O PACOPAR foi criado em 2001, em Estarreja, com o objectivo de facilitar o diálogo permanente com os representantes da comunidade, com a premissa de uma actuação responsável por parte da indústria química, com vista à melhoria do seu desempenho em matéria de segurança, saúde e ambiente, numa óptica de desenvolvimento sustentável.