Maravilhosos adolescentes estes, os de hoje e os de sempre

Uma pedrada por semana Ouvir pais, professores, catequistas a falar dos “seus” adolescentes, filhos, alunos ou catequisandos é ouvir logo uma ladainha de dificuldades e de incapacidades. Não se entendem, não aceitam, não estão atentos, riem por tudo e por nada, parece que toda a gente lhes deve dinheiro, nunca estão onde estão, conselhos nem pensar, só estão bem uns com outros, nem irmãos nem primos de outras idades…

Isto quer dizer que família, escola, paróquia são instâncias que já lá vão. Ainda há movimentos, como os escuteiros que pela sua pedagogia gozam um pouco do seu favor. A disciplina no grupo, a presença permanente do chefe, a diversidade das actividades, a força aglutinante da lei e dos princípios, porque é livre e sequencial a sua participação no movimento, ajudam a aliviar as dificuldades da educação.

Mas isto quererá dizer que a maioria dos adolescentes “anda a monte”? Nem tanto.

Agora são apanhados pela programação televisiva, cada vez mais abundante, que faz deles não consumidores mas protagonistas, não espectadores mas intervenientes. E fala-se a sua linguagem, comunica-se ao seu jeito sem conselhos nem moralismos…

Tudo bem? Nem tudo. A televisão diverte mas não educa. Ocupa o tempo mas não faz pensar. Dá prémios mas não exige nem trabalho nem esforço. Facilita mais do que os pais e os educadores…

O caminho para que esta simpatia não leve a becos sem saída, para que os sonhos não dêem em pesadelos, é aquilo que já não se pode dispensar hoje na educação: a parceria de educadores sérios que sabem o que querem e o querem unidos, que vão ao encontro dos adolescentes e não aos encontrões a eles, que façam com eles e não por eles ou para eles, que não criem bodes expiatórios para os seus fracassos educativos, que teçam um rede de confiança mútua e que tenham presente que se educa com o coração e que sem a paciência dos adultos o coração não funciona…