Questões Sociais Não se conhece nenhuma solução válida para a sustentabilidade económico-financeira do país, salvaguardando a social e a ambiental. Existe, no entanto, um caminho por desbravar, para o qual convergem inúmeras veredas. O caminho é o “humanismo integral”, que não garante qualquer solução global à partida, mas contém potencialidades inesgotáveis. Ele é compatível com as orientações socialistas, social-democratas e democráticas cristãs que nos têm governado. Parece também perfeitamente compatível com o bom senso.
Entre as veredas que convergem para este caminho, podem assinalar-se: (a) – a manutenção e intensificação das políticas de austeridade; (b) – a racionalização, a justiça e a humanização nessas políticas; (c) – a facilitação da vida das unidades económicas de subsistência e das empresas que procuram cumprir a lei; (d) – a tendência para a eliminação de apoios financeiros não reembolsáveis a empresas e a outras entidades de natureza económica; (e) – a regulação estratégica e maleável da economia através do ajustamento e do cumprimento da legislação, salvaguardando o princípio da gradualidade; (f) – a não redução das políticas sociais à distribuição de meios financeiros nem à prestação de serviços, apesar de tudo isto ser indispensável; (g) – a intensificação e difusão da consciência e da responsabilidade sociais, na esfera pessoal e colectiva; (h) – a mobilização de esforços e a optimização de meios disponíveis, para que os problemas sociais se vão resolvendo, ou ao menos atenuando, a partir dos mais graves e mais ocultados.
Tais soluções poderão ser mais perfeitas ou imperfeitas, mais definitivas ou provisórias, mais de carácter geral ou pontuais. Indispensável é que nenhum problema ou caso fique excluído. Mais valem soluções menos adequadas, do que o abandono de quem vive os problemas. Mais vale abranger de maneira imperfeita a generalidade dos problemas e casos sociais, do que abranger, com suposta perfeição, uma percentagem reduzida. E mais vale a consciência dos problemas e casos sociais, incluindo os mais ocultados e graves, mesmo não os podendo resolver, do que evitar o seu conhecimento pretextando a impossibilidade de solução.
Até hoje os governos quase só têm desbravado a primeira das oito veredas acabadas de referir. Será que o PS, na sequência do Congresso, também irá trilhar as outras?
