Os jovens e o casamento

Recentemente foi divulgado “um retrato” dos jovens portugueses. Família, educação, saúde, sinistralidade são algumas das componentes desse estudo sociológico. Divulgamos hoje as principais conclusões relativas a “os jovens e o casamento”. Outros temas serão abordados nas próximas semanas. O coordenador do estudo, Vítor Ferreira, estará no Centro Universitário Fé e Cultura, no dia 17 de Janeiro, às 21h, numa conversa aberta a todos os interessados. O estudo pode ser consultado em

http://programanacional.juventude.gov.pt/gaep2006.aspx

Casamento adiado

A maioria dos jovens residentes em Portugal são solteiros. Mesmo nos grupos etários mais velhos, o número de solteiros tem vindo a crescer. Significa isto que os jovens estão a adiar o seu casamento para cada vez mais tarde. Isso também é visível na idade média ao primeiro casamento.

Alterações comportamentais

A diminuição do casamento católico, o aumento do casamento civil e o aumento das uniões de facto entre os jovens, evidenciam alterações comportamentais em relação às possíveis formas de conjugalidade e a uma maior aceitação de diferentes modelos familiares.

Aumento de divórcios

Constatou-se um aumento significativo do número de divórcios a nível nacional (…), especialmente entre os jovens com 25-29 anos.

Casamentos mais breves

Relativamente à duração dos casamentos dissolvidos por divórcio, verificou-se uma tendência de encurtamento da duração dos casamentos (…). Nos últimos anos, a maioria dos casamentos dissolvidos por divórcio, na população jovem, duraram entre 1 e 4 anos.

Laço católico com pouca força

A forma de casamento dos divórcios registados também revela mudanças atitudinais e comportamentais dos jovens em relação ao que é a conjugalidade e sobre o que interfere na manutenção de um casamento. Verificou-se que a maioria dos divórcios ocorreram em casamentos católicos. Este facto parece ser um indicador de que, entre os jovens, a religião não actua como um elemento agregador do casal, quando este já está no ponto de ruptura.

Menos filhos

Relativamente ao número de filhos, verificou-se uma diminuição de filhos entre pais jovens. Este contínuo decréscimo decorre de um conjunto de alterações atitudinais em relação aos comportamentos sexuais. Nomeadamente, liberação dos comportamentos sexuais, divulgação do planeamento familiar e difusão dos métodos contraceptivos. (…) [No entanto,] é actualmente mais relevante o retardamento da idade de procriação. Este retardamento é também ele fruto de questões económicas e sociais, como são o prosseguimento dos estudos, a necessidade sentida pelos jovens de se estabilizarem economicamente antes de casarem ou terem filhos, as dificuldades de inserção laboral, etc.