Bento XVI traça quadro negro da situação mundial

Discurso ao corpo diplomático, um dos mais importantes do ano, sublinha desafios que se colocam à comunidade internacional: fome, guerra, violência e subdesenvolvimento.

Bento XVI lançou um olhar particularmente crítico sobre a situação da comunidade internacional, lamentando os problemas levantados a centenas de milhões de pessoas, pelos dramas da fome, da guerra, da violência e do subdesenvolvimento.

No aguardado discurso ao corpo diplomático acreditado na Santa Sé, no dia 8 de Janeiro, o Papa começou por desafiar os representantes de 169 Estados e Instituições internacionais a “lançar um olhar sobre a situação internacional, para examinar os desafios que somos chamados a enfrentar conjuntamente”.

Entre as questões essenciais, como o próprio as definiu, estão “os milhões de pessoas, especialmente mulheres e crianças, a quem faltam água, comida e um tecto”. “O escândalo da fome, que tende a agravar-se, é inaceitável, num mundo que dispõe dos bens, dos conhecimentos e dos meios para lhe pôr fim”, atirou.

Na linha do que tinha feito na Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2007, Bento XVI apontou o dedo aos “contínuos atentados contra a vida, desde a sua concepção à morte natural”, recordando também as crises humanas e os fenómenos migratórios.

Do Iraque a Timor

O Papa condenou a “violência terrível que ensanguenta o Iraque” e lembrou as “legítimas preocupações da comunidade internacional” a respeito do programa nuclear do Irão.

Bento XVI falou da “crise política” que afecta Timor Leste, classificando-a como sinal de “uma certa fragilidade dos processos de democratização”, visível também noutros países. Em Timor, a Igreja Católica quer “continuar a oferecer a sua contribuição nos sectores da educação, da saúde e da reconciliação nacional”.

O discurso alertou para os “perigosos focos de tensão” na Península da Coreia, apelando à “reconciliação” do povo coreano. Ao “evitar os gestos que possam comprometer as conversações”, disse o Papa, é preciso não condicionar as ajudas humanitárias destinadas às populações mais vulneráveis da Coreia do Norte.

Vietname, Afeganistão ou Sri Lanka foram outros dos países que mereceram um olhar atento. Sobre a situação genérica no Médio Oriente, Bento XVI frisou que “os libaneses têm o direito de ver respeitada a sua integridade e soberania; os israelitas têm direito a viver em paz no seu Estado; os palestinianos têm o direito a uma pátria livre e soberana”.

Num olhar sobre a América Latina, o Papa saudou a “melhoria de alguns índices económicos” no Brasil e pediu o esforço de todos na “pacificação” da Colômbia.

As dificuldades vividas na África mereceram, da parte do Papa, um olhar particularmente atento. Depois de lembrar que os países desenvolvidos se comprometeram a destinar 0,7% dos seu PIB para ajudas internacionais, Bento XVI elencou os dramas vividos no Darfur, Uganda, Costa do Marfim e as regiões dos Grandes Lagos, a África Austral e o chamado corno de África.

Agência Ecclesia