Jornadas de Oração “Acolher a viada como um dom de Deus” Na Peregrinação Mensal de Janeiro (sábado, 13), o Bispo de Leiria-Fátima lembrou que a decisão de abortar é um verdadeiro drama para muitas mulheres. Porém, “a um drama não se responde com outro drama: o de destruir uma vida humana que desabrocha e que é o elo mais fraco em todo este processo”.
D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, exortou “a uma mobilização de consciências para uma Nova Aliança entre Liberdade, Vida e Amor – indissoluvelmente unidos – e para uma acção solidária” no que toca ao tema da vida. Participaram na celebração treze outros bispos portugueses, setenta sacerdotes e mais de nove mil pessoas. Na Eucaristia comungaram três mil fiéis.
Na homilia da Peregrinação Mensal de Janeiro, D. António Marto reiterou a classificação do aborto “como chaga social” e sublinhou os paradoxos da sociedade actual.
“Verificamos com satisfação que aumenta a sensibilidade em relação à protecção das crianças, às condições dignas da maternidade, à igualdade de todos os seres humanos, à defesa e protecção do meio ambiente. Também cresce em todo o mundo a rejeição da pena de morte e da tortura. Mas, paradoxalmente, assistimos à banalização crescente do aborto, que provoca a morte silenciosa de um ser humano silencioso, indefeso e inocente”, disse.
“O fenómeno do aborto como chaga social é sintoma de um mal-estar mais profundo de cultura e de civilização, da própria sociedade. Alastra uma visão materialista, que reduz o conceito de vida humana a um mero produto ou material biológico; e uma visão pragmático-utilitarista, que remete por completo a sensibilidade moral para as fronteiras dos custos, do bem-estar, do conforto etc. E, então, a nossa sociedade torna-se simultaneamente frágil (face aos problemas da vida) e “dura” (nas soluções drásticas) em função da lógica utilitarista e competitiva.
Não ignoramos, nem podemos ignorar, que, muitas vezes, a decisão de abortar é fruto de grandes sofrimentos e angústias (sem excluir as pressões), que é um verdadeiro drama para muitas mulheres. Mas pensamos que a um drama não se responde com outro drama: o de destruir uma vida humana, que desabrocha e que é o elo mais fraco em todo este processo. A resposta verdadeiramente humana e humanista a este drama é um projecto solidário e galvanizador de todos os recursos da sociedade civil e do Estado, para oferecer todo o cuidado, acolhimento e protecção de ordem social, económica e psicológica, tanto ao filho em gestação como à mãe que o gera. Não podemos considerar um sem o outro; e muito menos pôr um contra o outro. A liberalização do aborto, embora disfarçada sob a forma jurídica de despenalização, não é a resposta digna e condigna. É uma fuga em frente, para não atacar o problema nas suas raízes. Não é caminho de progresso, de futuro e de liberdade”, disse o prelado.
D. António Marto rezou a Nossa Senhora para que a Europa “não olhe só para o passado, não pense só na sobrevivência de um mundo de idosos; mas que dirija os seus olhos, com alegria, confiança e generosidade, para um futuro cheio de novas vidas humanas”.
Leopoldina Simões, Santuário de Fátima
