Em 10 anos de existência, a distribuição de alimentos passou das 19 toneladas para as 1800. No décimo aniversário, Aveiro pode receber como presente um concerto.
O Coronel Martinho está desde a origem no BA de Aveiro. Como é o que surgiu a instituição no distrito?
Dia 19 de Junho próximo faz 10 anos que fizemos a escritura do BA. O D. António Marcelino desafiava-nos. Várias vezes nos disse que gostava que houvesse em Aveiro um Banco Alimentar. Na altura eu era presidente do Rotary Clube de Aveiro e o Sr. Barbosa, que é o meu vice-presidente, também me falava que seria uma coisa engraçada a constituição de um BA. “Vamos a isso!”. Primeiro fomos a Lisboa ver como funcionava e ficamos deslumbrados. Depois fomos participar numa campanha no Banco do Porto. Tratamos da parte burocrática e fundou-se o BA como tarefa do Rotary Clube de Aveiro. Mas agora não tem nada a ver com o RCA, embora tenhamos a colaboração de muitos rotários.
O que se prevê para 19 de Junho?
Pensamos que o BA deve comemorar modestamente os 10 anos em prol da comunidade aveirense e do distrito. Estamos a pensar – sem ainda termos nada de definido – numa missa de Acção de Graças na Sé, presidida pelo D. António Francisco, e, juntamente com a Câmara, gostaríamos de oferecer um concerto da Filarmonia das Beiras à população, como forma de agradecer o tanto que nos dá.
Dá muito trabalho dirigir o Banco?
Dá algum trabalho, mas sinto uma satisfação pessoal extraordinária. Eu e os outros que lá estão. É pesado, mas não é um fardo, porque se trabalha com gosto. É gratificante ver como as instituições sentem o BA: “Nós sem o Banco já não conseguíamos viver!”. Ou a solidariedade de empresas que durante a campanha mandam para o BA uma panela de sopa, uma de jardineira outra de feijoada, rissóis, bolos de bacalhau… para que o voluntário não precise de ir a casa comer. Come ou petisca nos intervalos no Bar do BA a custo zero! Há um espírito de cooperação extraordinário.
Quantos sócios tem o BA?
Ultrapassa os 300 sócios. Pagam 30 euros de quota por ano. Mas temos a alegria de ver pessoas que nos dão muitíssimo mais. Há pessoas associadas com uma quota bastante superior, que nos dá para suprir o expediente normal do BA.
Nestes dez anos, as recolhas têm crescido…
Na primeira recolha que fizemos, ficamos admirados: “Maravilhoso! 19 toneladas!” O D. António Marcelino foi lá ver e toda a gente ficou entusiasmada com o que tínhamos conseguido. Foi uma lança em África! Hoje rimo-nos disso, quando comparamos com as 1800 toneladas que distribuímos actualmente. O crescimento tem sido contínuo. Isso deve-se à população, aos aveirenses que acreditam no BA. E podem acreditar. Tudo o que tem é para dar. E dar correctamente. Temos uma norma que queremos sempre cumprir: “dar é fácil; dar com justiça é tremendamente difícil”. E sempre que atribuímos as quotas e fazemos os cabazes, salta à direcção esta norma. Nós dizemos às instituições que têm de lidar com o BA como nós lidamos com elas: com lealdade e frontalidade. Se uma instituição tenta enganar o BA, pura e simplesmente é cortada da lista.
Alguma instituição tentou enganar o BA?
Três.
Como?
Estavam a dar dados que não eram correctos. Avisamos uma vez, avisamos duas; à terceira, cortamos.
Diziam que tinham mais utentes do que os que realmente tinham?
Exacto. Temos de tratar todos com igualdade. Qualquer instituição tem de se acreditar no banco. A acreditação corresponde ao preenchimento de uma ficha, em que atestam aquilo que fazem. Estamos a implementar visitas às próprias instituições, não com sentido de fiscalização, mas para melhor conhecimento de cada instituição. Podemos estar a apoiar mal alguma por não a conhecermos correctamente. Por isso, há uma equipa de voluntários que visita as instituições, para dar um parecer mais correcto da própria instituição. É um grande objectivo que temos.
Quantas instituições apoiam?
Em Fevereiro, tivemos uma reunião com todas as instituições que apoiamos. São cerca de 180. E temos 30 que estão em lista de espera. Recebem, mas só esporadicamente, quando temos determinados géneros a mais. Todos os anos vêm toneladas de fruta e a fruta precisa de distribuição rápida. Por vezes, chega em quantidades suficientes para essas instituições que ainda não estão acreditadas. Na reunião, pedimos às instituições que nos dissessem que géneros podem dispensar. Isso deu-nos uma indicação correcta para melhor distribuir os cabazes.
