Cheias levam fome a Moçambique

Em plena época de chuva no Verão do hemisfério sul, Moçambique sofre com as cheias provocadas pelo rio Zambeze. A chuva é sinal de campos férteis, mas, em excesso, é sinónimo de fome.

Devido às secas intensas do período estival e à falta de estruturas, muitos habitantes da província de Tete, Sofala e Zambézia estabelecem-se junto às margens dos grandes rios moçambicanos Zambeze e Limpopo para terem acesso a água, pois não há condutas ou canalizações que a levem à população. Agora, devido às cheias, regressa o espectro da fome, por perda de recursos alimentares. “As machambas [pequeno quintal de cultivo familiar situado estrategicamente junto aos cursos de água para rega] estão inundadas e as pessoas não têm o que comer, seja para agora, seja para a próxima época seca. A produção agrícola familiar de agora deveria armazenar alguns alimentos para o Inverno”, disse ao Correio do Vouga o Ricardo Cicarelli, padre missionário em Moatize, na província de Tete.

As Nações Unidas lançaram há dias um apelo de emergência internacional para minimizar os efeitos das cheias, enquanto a Comissão Europeia já atribuiu uma verba para ajuda de emergência às vítimas das cheias, a aplicar no fornecimento de água ou em cuidados de saúde.

A nível local, a Cáritas lança uma campanha de ajuda às vítimas das cheias (ver texto ao lado).

Lamenta-se a repetição cíclica desta catástrofe em Moçambique. A falta de estratégia e de apoios ao desenvolvimento e a fraca implementação de estruturas adequadas de armazenamento da água provocam sistemáticos períodos de cheias e de seca, que tanto prejudicam o melhor desenvolvimento das popu-lações e resultam em gastos enormes, para o país e comunidade internacional, aquando das calamidades.

Esperam-se melhores estratégias de desenvolvimento, a bem da economia global, a bem da população africana.

A chuva tem atingido, além de Moçambique, outros países da região, como Angola, Madagáscar, Malawi, Zâmbia e Zimbabué. A época das chuvas findará apenas em Abril.

Pedro A. Neto

Cáritas apela à solidariedade

Através de informações fornecidas pela Cáritas de Moçambique que, no terreno, está a fazer o levantamento das necessidades mais prementes, a Cáritas Portuguesa está a acompanhar a situação dramática que as cheias têm provocado em algumas zonas daquele país irmão, tendo constatado ser urgente prestar ajuda aos milhares de deslocados que esta tragédia está a originar.

Neste sentido, abriu a conta “Cáritas Ajuda Moçambique”, com o NIB: 0033 0000 45328237159 05 do Millennium BCP, onde poderão ser efectuados os donativos para as vítimas das cheias em Moçambique.