Portugal não pode apostar nos baixos salários

“Europa Social” debatida pela UGT “A Europa Social é um factor de competitividade”, referiu o secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), João Proença, num debate realizado em Aveiro por aquela confederação sindical. No entanto, reconheceu que “a Europa social está a mudar, mas a mudança tem de passar por uma maior adesão dos trabalhadores às mudanças. Isso implica debater o que é a Europa hoje, o que poderá ser a Europa social no futuro”.

Este debate da UGT deve-se ao facto de que “a Europa está, muitas vezes, em questão. Hoje, muitas vezes os cidadãos não acreditam no projecto europeu, porque esse projecto tem certas questões que não motivam a adesão dos cidadãos; pelo contrário, leva a que hoje muitos trabalhadores descreiam da Europa. Portanto, é fundamental que os trabalhadores acreditem nesse projecto”, e, como diz João Proença, “é necessário reforçar espaços de participação. É necessário que os trabalhadores e os cidadãos sejam, cada vez mais, parte activa na construção do projecto europeu”.

Este dirigente da UGT não duvida que “ a Europa é o espaço mais competitivo do mundo. A Europa é o maior exportador e o maior importador mundial”. E, se é o maior exportador, “é porque os seus produtos têm condições de competitividade. A Europa não pode apostar nos produtos de baixa qualidade e de baixo preço. Tem de apostar na qualidade dos seus produtos, na inovação, em novos processos e em novas tecnologias”.

Limitar importações de países sem direitos

A par disso, o secretário geral da UGT afirma que “a Europa não pode aceitar que países que não respeitam direitos humanos, que não respeitam direitos fundamentais, que não respeitam o direito sindical e à greve, que baseiam a sua produção, por exemplo, em trabalho in-fantil, em trabalho forçado, possam exportar livremente para a Europa”. Pelo que “reivindicamos que, nos acordos de comércio internacional, não só os acordos de nível geral, da Organização Mundial do Comércio, mas também os acordos bilaterais da União Europeia, tenham em consideração o respeito por esses direitos fundamentais. A Organização Internacional do Trabalho tem oito convenções, as quais todos os países têm de respeitar. Esperamos que os países vão muito além disso, e a Europa social é muito mais do que isso”.

João Proença realça que Portugal não pode continuar a apostar nos baixos salários “por dois motivos: na União Europeia, há países com salários mais baixos do que os nossos, no quadro internacional, a maioria dos países com quem competimos têm salários muito mais baixos do que os nossos. Portugal tem que apostar num trabalho mais qualificado, em empresas com maior nível tecnológico e numa maior flexibilidade interna nas empresas, resultante da negociação colectiva”.