Um mundo que nasce

Revista COMMUNIO

Revista Internacional Católica

“Um mundo que nasce”

Jul/Ago/Set de 2009

O terceiro número de 2009 da COMMUNIO, acabado de sair, tem como tema “Um mundo que nasce”. Numa nota à imprensa, os editores explicam o sentido da publicação: “É hoje comum a percepção de uma crise não só económica mas que se entende ao domínio dos valores. A uma observação meramente negativa é necessário impor-se uma atitude positiva que descubra na crise a oportunidade de «um mundo que nasce»”.

A revista contém 14 artigos. Valerá a pena destacar cinco. 1) “Mercado, economia e ética”, por Joseph Ratzinger. Trata-se de um artigo escrito em 1986 e, tanto quanto sabemos, uma das poucas vezes que Bento XVI, então cardeal, abordou o tema da economia antes da “Caritas in veritate”. 2) “O valor da «Crise de valores»”, de J. M. Pereira de Almeida, padre e médico lisboeta que em anos anteriores colaborou com o ISCRA. No artigo, sublinha que a crise de valores tem um valor imenso de apresentar “o diálogo sereno e confiante” como ferramenta para uma “ética partilhada”. 3) “Reinventar a solidariedade”, pelo Cardeal Oscar Maradiaga, bispo ondurenho e presidente da Cáritas Internacional, que analisa a “má definição de ser humano”, “má concepção de humanidade”, de que padece a economia actual. 4) “Causas da crise”, por Luís Campos e Cunha. Num texto avisado e anti-sensacionalista, o Ministro das Finanças em 2005 considera que a “falta de ética teve o seu papel mas não é a causa” da crise económica. “É necessário (…)” reconhecer, com humildade, o muito que não sabemos”. 5) “As encruzilhadas da crise contemporânea. Por um futuro sustentável”, por Viriato Soromenho Marques, professor de Filosofia (e em tempos presidente da Quercus), que apela à construção de uma “narrativa comum à altura da gravidade das alterações climáticas”.

Com estes e ou outros artigos, temos nesta revista muitos instrumentos para interpretar o mundo actual na sua vertente económica, com uma certeza: o paradigma do mercado não mudou (por outras palavras: continua o domínio do capitalismo), mas também não se dispensa a ética.