Casais de Santa Maria comemoram jubileu

Manuel Carvalhais, diácono permanente, e sua esposa, Emília (Mila) Carvalhais, falam-nos dos Casais de Santa Maria, um movimento de espiritualidade conjugal presente em Vagos desde 1995 e que no presente ano comemora as bodas de ouro. Manuel Carvalhais é o assistente diocesano.

Correio do Vouga – Como surgiu o movimento em Portugal?

Manuel e Emília Carvalhais – O movimento de Casais de Santa Maria surgiu no Ribatejo, em 1957, com base na Acção católica dos meios rurais e independentes, mas autónomo. O seu fundador e primeiro assistente nacional foi o cónego José Mendes Serrazina, hoje infelizmente impossibilitado de exercer o cargo por motivo de doença. Com a elaboração das primeiras “ bases e normas” de funcionamento, obteve a aprovação do episcopado em 31 de Maio de 1963.

E como chegou à diocese de Aveiro?

Desde 1975 que nós, como casal, estamos ligados ao movimento, após termos ingressado numa equipa de casais em Beja, cidade onde então residíamos. Quando da nossa vinda para Calvão, em 1986, sentimo-nos “órfãos”. Estávamos habituados a viver a nossa espiritualidade conjugal em equipa. Falando com D. António Marcelino, este deu-nos “luz verde” para avançarmos com a formação dos primeiros grupos de casais ligados ao movimento, o que se conseguiu em 1995. Hoje existem seis grupos no Arciprestado de Vagos: três em Calvão, dois em Ponte de Vagos e um em Santa Catarina.

Como definem os objectivos e finalidades do movimento?

Sendo um movimento de espiritualidade e de apostolado familiar, pretende, em primeiro lugar, através da formação de grupos de casais, desenvolver uma entre-ajuda religiosa, pessoal, conjugal, familiar e social, em ordem à santificação da Família.

São objectivos, a vivência dos valores cristãos do matrimónio nos casais e no seio das famílias, o apostolado pela palavra e pelo exemplo, o aprofundamento da fé e cultura religiosa através do conhecimento da Doutrina Social da Igreja, o apoio à missão educadora da Família e à solidariedade relativamente aos seus interesses comuns, a participação responsável nas estruturas da Igreja e da sociedade.

Como se estrutura o movimento e se relaciona com as paróquias?

O Movimento, presente em 13 dioceses portuguesas, estrutura-se e actua na Igreja local sob a orientação do Bispo, com autonomia pastoral e administrativa em relação às estruturas nacionais do movimento.

Uma das características peculiares é a sua vocação para colaborar com a paróquia, estando fortemente ligado a ela, podendo ser uma via importante para ajudar na evangelização, em colaboração com o pároco. Não só os casais são destinatários da evangelização, como também são seus agentes. Em muitos locais, estes casais têm sido uma mais valia para as paróquias na pastoral familiar, nas vertentes de preparação para o matrimónio e baptismo.

Como se pode formar uma equipa de Casais de Santa Maria?

A base do movimento está na constituição de equipas que podem definir-se como “grupos de 7 ou 8 casais amigos”, que, com um assistente (padre, diácono ou religiosa/o), decidam fazer uma caminhada comum, para mutuamente se entre-ajudarem na sua vivência cristã a nível pessoal, conjugal, familiar e social, assim como na educação dos filhos. Conjuntamente com um casal já experiente no movimento e o seu assistente, elegerão um casal que será responsável do grupo por um ano. No final desse período, a equipa assume a sua própria orientação.

Como são as reuniões dos grupos?

Reunimos mensalmente, em casa de cada casal, para meditação de um texto bíblico, reflexão de um tema de estudo (fornecido no primeiro ano pelo movimento), partilha de experiências e convívio agápico [partilha de refeição]. Os temas subsequentes são propostos pela equipa diocesana e assistente, para serem tratados por todos os grupos.

Os grupos têm alguns encontros em conjunto: no início do ano, para convívio e tomarem conhecimento da programação/calendarização do trabalho; nos tempos de Advento e Quaresma, para oração e reflexão; e no final das actividades do ano, para avaliação e convívio.

Que funções tem o assistente religioso?

O assistente religioso/promotor é nomeado pelo Bispo diocesano, de quem depende. Tem como funções principais a elaboração/apresentação de temas para o ano e esquemas de encontros de oração para todos os casais; colaborar com os assistentes dos grupos na vida dos mesmos e nas acções desenvolvidas; estar atento às necessidades espirituais de acompanhamento dos grupos e ainda ser intérprete, junto do movimento, das acções propostas pelo Secretariado Diocesano de Pastoral Familiar, facilitando a sua participação nos planos pastorais da Diocese. É ainda sua tarefa apresentar e divulgar o movimento na diocese, nomeadamente fazendo contactos com os párocos que desejarem o movimento nas suas paróquias, esclarecendo-os que este não pode ser visto como mais uma ocupação para eles, mas sim como uma porta para uma potencial ajuda na pastoral paroquial com agentes vocacionados e qualificados na pastoral familiar.

O movimento tem planos de expansão na Diocese de Aveiro?

De momento, o movimento está implementado no Arciprestado de Vagos em três paróquias, tendo feito esforços para abranger outras paróquias deste arciprestado, mas está aberto a todas as paróquias da Diocese que o solicitarem. A equipa diocesana está preparada para acções de sensibilização nesse sentido, sempre que solicitadas pelos párocos.

Considera importante que os casais estejam integrados em algum movimento?

Como o movimento está dirigido para casais, é nesta faixa que a sua acção se desenvolve. Contudo, como o primeiro objectivo do movimento é a procura da santidade – que significa a realização pessoal e mutuamente, na qualidade de criaturas de Deus, vivendo segundo o espírito de Jesus -, o testemunho aos filhos é a forma mais natural de educar na fé e incutir neles a esperança cristã num mundo cheio de desequilíbrios. Tudo isto, num tempo em que a família parece não ser mais o “esteio” da sociedade. Mas é, sem dúvida, o berço e lugar da experiência e ensino dos valores cristãos nas relações interpessoais, tão vitais para uma sociedade equilibrada, humanizada e humanizante. Daí a importância dos casais fazerem parte deste ou outro movimento de espiritualidade conjugal, que os ajude a serem sinal do amor de Deus e luz para o mundo.

Casais de Santa Maria

* É um movimento de espiritualidade e de apostolado familiar, para vivência dos valores cristãos do matrimónio no seio das famílias.

* Presente na diocese de Aveiro desde 1995, em Vagos. Há três equipas em Calvão, duas em Ponte de Vagos e uma em Santa Catarina.

Jubileu celebrado em Fátima

O movimento comemora os 50 anos nos dias 23 e 24 de Junho, com um encontro nacional em Fátima, que pretende incentivar os casais a uma maior responsabilização na sociedade actual e promover a visibilidade do movimento na Igreja e no mundo.

O tema “Importância da relação conjugal na relação parental” será reflectido com a colaboração de Teresa Ribeiro e haverá um serão cultural em que cada diocese mostra as suas tradições. A celebração da Eucaristia encerra o encontro.