Do dia 2 ao dia 9 de Julho, os seminaristas da diocese de Aveiro estiveram em Roma, conjuntamente com os seus homólogos da diocese de Lamego.
Esta proposta foi-nos feita por D. António Francisco, que, sabendo da viagem/peregrinação que os seminaristas de Lamego iriam fazer, quis também abri-la aos seus seminaristas.
O motivo desta viagem, antes de mais, relacionava-se com o aprofundamento da nossa fé. Todos nós sabemos que Roma é o local onde as duas colunas da Igreja, Pedro e Paulo, selaram a meta da sua vida com o sangue derramado na confissão da fé em Jesus Cristo morto e ressuscitado. Ali se encontram os seus túmulos e os dos sucessores de Pedro. São eles, juntamente a tantos nossos irmãos, que nos dão um grande testemunho de fé, pela exemplaridade de vida e de seguimento de Cristo, sem qualquer receio.
Tivemos a oportunidade de visitar as várias basílicas existentes em Roma (entre elas, S. João de Latrão, Santa Maria Maior, S. Paulo fora de muros), os túmulos dos vários sucessores de Pedro e até o túmulo de Pedro, situado numa necrópole da colina Vaticana, ao lado do então Circo de Nero, onde Pedro foi martirizado. Tocar essas pedras e pisar esse chão que viu Pedro e tantos irmãos nossos dos primeiros séculos não nos pôde deixar indiferentes. Sentimos uma certa comoção e veneração e ficamos marcados pelo silêncio contemplativo. Tivemos também a oportunidade de visitar o túmulo de São Paulo, situado na Basílica com o seu nome. Diz a tradição que Paulo foi decapitado numa zona chamada “Tre fontane” (Três Fontes), porque, decapitado, a sua cabeça rolou com três ressaltos dando origem a três fontes de água, que ainda hoje podem ser visitadas.
Enfim, foi com muita alegria que tivemos a oportunidade de visitar os túmulos desses dois verdadeiros seguidores de Cristo. Foram capazes de se entregar plenamente por amor a Ele. Paulo, que inicialmente tinha sido perseguidor dos cristãos, acabou por anunciar Aquele que perseguiu.
Quando chegámos a Roma, no primeiro dia, tivemos a sorte de sermos recebidos em audiência pelo cardeal Saraiva Martins. O cardeal português, responsável pela Sagrada Congregação para a causa dos Santos, contou-nos “como eram feitos os santos” e falou do processo que era necessário para a canonização de alguém.
Tivemos também a oportunidade de estar na audiência geral do Papa, das quartas-feiras, onde dirigiu algumas palavras a pessoas de todo o mundo lá presentes, sobre S. Basílio e o seu contributo na vida da Igreja. Falou em português, quando se dirigiu aos portugueses e falou directamente para nós, seminaristas das duas dioceses, Lamego e Aveiro. Disse-nos o seguinte, ao recordar os cinquenta anos do Seminário de Lamego: «Mantém sempre vivo no teu seio o fogo da Eucaristia, para continuarem a sair da tua forja santos e sábios ministros de Deus. Possam formadores e alunos crescer diariamente na amizade com Jesus, Mestre e Senhor. Sobre vós e todos os peregrinos de língua portuguesa, desça a minha bênção, que estendo aos familiares e benfeitores. Ide com Deus!».
Tivemos também a possibilidade de visitar o museu do Vaticano, que é um local onde se encontra muita arte, cristã ou não, com influência na cultura cristã.
Outros momentos significativos: a celebração da Eucaristia na Igreja de S. António dos Portugueses, o Angelus na Praça de S. Pedro, a Eucaristia celebrada na Galeria dos Papas, ao lado da tumba de S. Pedro, na capela da Virgem Negra de Czestochowa.
Mais momentos haveria para contar, mas bastam-nos estes. Apenas uma nota: todo o seminarista, sacerdote e cristão em geral deveria colocar no projecto da sua vida a visita aos lugares santos onde se deu a origem da nossa fé: Roma e Jerusalém.
Regressámos contentes e agradecidos ao Senhor e àqueles que contribuíram ou possam ainda contribuir tornando possível esta viagem de formação e oração.
José Carlos
João Gonçalves
P. Virgílio
