À Luz da Palavra – 4º Domingo da Quaresma – Ano C A liturgia deste domingo convida-nos a descobrir o Deus Amor, empenhado em conduzir-nos a uma vida de comunhão com Ele. Certifica-nos que todos somos pecadores salvos em Cristo, porque Ele restabeleceu os laços que havíamos quebrado com Deus, admitindo-nos à sua intimidade e restituindo-nos a dignidade, que adquirimos pelo baptismo.
A terceira leitura apresenta-nos Deus Pai, que ama de forma gratuita, com um amor fiel e eterno, apesar das escolhas erradas e da irresponsabilidade dos filhos rebeldes. É um amor entendido na linha da misericórdia e não na linha da justiça humana. O evangelho de hoje é a mais bela página de Lucas, a parábola do pai bom que tinha dois filhos. Esta história de amor revela-nos o excesso de amor deste pai, que trata os seus dois filhos como pai algum jamais poderia fazer. O filho mais novo aspira a uma liberdade sem responsabilidade. Exige a sua herança ao pai, como que antecipando a sua morte. O pai, por sua vez, respeitando a sua liberdade, entrega-lhe a parte que lhe caberia por sua morte e deixa-o partir. O filho mais velho continua em casa, fechado sobre si mesmo, tendo como refúgio e segurança do seu bom comportamento a casa paterna. O mais novo, jovem irrealista e irresponsável, quer, a todo o custo, satisfazer o desejo incontido do prazer que o abrasava. Mas tudo se esgotou em pouco tempo e ficou só, na miséria física e espiritual. Então, caiu em si, tomando consciência do estado a que chegara. Arrependeu-se e decidiu ir ter com o pai. Mas, no distanciamento do filho, o pai havia-o guardado sempre no seu coração, sem qualquer ressentimento, esperando, com lágrimas, o seu regresso. Mal o avistou encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Tudo invertido, pensamos nós. E foi tão grande a alegria, que houve festa. O pai restitui-lhe a dignidade e a confiança de filho, e elevou-o ainda mais! Que pai magnânimo e excessivo, diríamos! Se fôssemos nós… O filho mais velho não reconheceu o seu irmão, e recusou-se a participar na festa. Mas o pai, misericordioso para ambos, veio instar com ele, ajudando-a a compreender e a perdoar. Será que os ouvintes de Jesus perceberam a lição? Ou ficaram de fora, como o filho mais velho? E tu, de que lado estás?
A segunda leitura convida-nos a acolher a oferta de amor que Deus nos faz através de Jesus. Só reconciliados com Deus e com os irmãos podemos ser criaturas novas, em quem se manifesta o “homem novo”. Na verdade, é Deus que em Cristo reconcilia o mundo consigo, não levando em conta as nossas faltas e confiando-nos a palavra da reconciliação. Sou instrumento de reconciliação no meu dia-a-dia?
A primeira leitura fala-nos da passagem do povo de Israel da escravidão e do deserto à vida nova, à vida da liberdade e da paz, isto é, à “circuncisão do coração” ou conversão. Que preciso eu “cortar” na minha vida, para que entre na liberdade cristã? O que é que ainda me impede de celebrar um verdadeiro compromisso com o nosso Deus?
IV Domingo da Quaresma – Ano C: Js 5,9a.10-12; Sl 33 (34); 2 Cor 5,17-21; Lc 15,1-3.11-32
Deolinda Serralheiro
