Bispo do Porto recebido em festa

D. Manuel Clemente preocupado com uma sociedade em que “os valores são frágeis e as práticas inconsequentes”.

Milhares de pessoas encheram este domingo a Catedral do Porto, para participar na celebração de entrada solene de D. Manuel Clemente na Diocese do Porto. A cerimónia contou com a presença de vários membros do episcopado português, nomeadamente o presidente da Conferência Episcopal e Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, e o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro, também esteve presente.

Na sua homilia, o novo Bispo do Porto criticou a sensibilidade pós-moderna dominante nos últimos 30 anos, afirmando que o refúgio constante nas desconfianças e impressões é como “escrever na água”.

“Chamam pós-moderna à sensibilidade dominante nas últimas três décadas. Caracterizam-na como fruto de grandes decepções ideológicas e concentração no momentâneo e imediatamente gratificante”, alertou, para frisar que, “neste ambiente, o pensamento é débil, os valores são frágeis e as práticas inconsequentes”.

“Não é difícil concluir que, se ficamos apenas com desconfianças e impressões, não faremos nada de futuro, enquanto crentes e cidadãos. Como se escrevêssemos na água…”, acrescentou.

Invocando as palavras do evangelho do dia, D. Manuel Clemente lembrou que Jesus escreveu não na água, mas na areia, “como quem dava tempo aos interlocutores para lerem nas próprias consciências” e que “a Igreja de Cristo existe no Mundo e para o Mundo como sinal e activação desta novíssima graça, que reconstrói vidas e relança caminhos, a partir do poder de Deus”.

“Não peça o Mundo à Igreja outra coisa senão esta, a luz e a graça de Cristo para o triunfo do bem”, apontou.

O novo Bispo do Porto disse ter um “sentimento forte de veneração e respeito por tudo o que aconteceu de nobre e sublime na longa série de episcopados” do Porto, salientando que esta “diocese antiga precedeu e acompanhou a história portuguesa”.

“Diocese antiga, precedeu e acompanhou a história portuguesa, dando-lhe por vezes os nomes mais expressivos e proféticos: não nos faltarão ocasiões e efemérides, para os irmos lembrando especificamente, tão importante é reter a vida vivida, para inspirar a que se há-de viver”, referiu.

D. Manuel Clemente deixou a sua homenagem aos seus imediatos antecessores, “D. Júlio Tavares Rebimbas e D. Armindo Lopes Coelho, cuja saúde e vida Deus guarde e acrescente, para benefício de todos quantos havemos de lucrar muito com a sua acumulada experiência e comprovada sabedoria. Particularmente ao Senhor D. Armindo formulo votos – que são de toda a Diocese – de boa recuperação”.

Agência Ecclesia