Direitos Humanos Contrariamente ao que se possa pensar, o título desta pequena reflexão não trata de uma declaração de Amor a qualquer pessoa que se chama Zónia. Aliás, nem sequer é um título original, uma vez que é algo que constava estampado na t-shirt que um amigo meu, compositor maranhense, gostava de usar, quando dava concertos ao vivo.
A t-shirt em causa, de cor branca, destacava as palavras Ama Zónia, gravadas com uma cor verde fascinante, ainda hoje presente na minha memória, e de cujas letras surgiam pequenas folhas desenhadas. Apelo mais do que óbvio ao Amor pela floresta amazónica.
É, sem dúvida, uma das t-shirts de design mais cativante que tenho visto.
Parto da lembrança dessa t-shirt, para destacar o trabalho de consciencialização que foi desenvolvido pela Igreja Católica no Brasil, ao longo de toda a Quaresma, durante a Campanha da Fraternidade 2007. Dos diversos ecos que me têm chegado, e a que tenho tido acesso pelos meios de comunicação e pela Internet, o tema deste ano – “Amazónia, Missão neste chão” – gerou um carinho muito grande por parte de todos os que se deixavam sensibilizar pela questão da defesa da Amazónia.
Quando visitei a Amazonia Legal, quer a oeste do Maranhão, quer a nordeste do Mato Grosso, a destruição que presenciei, bem como o desmatamento que constatei, não me permitiram ficar com a ideia de uma Amazónia verde, de frondosa e cerrada vegetação luxuriante.
Bem pelo contrário, deparei-me com vastas áreas despidas de vegetação, cada vez mais áridas e secas.
Dos problemas de destruição de árvores (à incrível velocidade de um campo de futebol cada minuto!), motivados pelos ávidos madeireiros, já todos sabíamos. Dos efeitos sobre o aquecimento global e consequente degradação do meio ambiente, também. Ultimamente estamos, até, a ser alertados para a substituição da vegetação amazónica pela monocultura da soja.
O que, porém, quase ninguém sabe é que a Amazónia está a ser “servida” à mesa, para consumo dos países industrializados, directa ou indirectamente.
Na verdade, a soja, só numa pequena parte serve para alimentar seres humanos. A maioria da sua produção, em forma de ração, alimenta gado bovino, suíno e caprino, consumido nos países ditos desenvolvidos. Também as grandes multinacionais de “fast-food”, sedeadas nos Estados Unidos, compram carne bovina, criada nas pastagens em que se transformaram as áreas de floresta amazónica completamente devastadas, para fazer os seus hambúrgueres.
São as novas ameaças à Amazónia, com as quais acabamos por ser cúmplices.
Para tudo isto chamou a Igreja Católica no Brasil a atenção ao longo desta Quaresma. A Missão Evangelizadora da Igreja na Amazónia passa pela criação de condições de vida dos povos ribeirinhos e da defesa do ambiente natural, para que todos se possam desenvolver de uma forma sustentável. Vários projectos neste sentido serão desenvolvidos, por incentivo da Igreja, ao longo de 2007. Uma sensibilização que, felizmente, já começou a dar os seus frutos.
Motivados pela receptividade favorável da opinião pública, um grupo de artistas brasileiros, reunidos num Movimento denominado “Amazónia para Sempre”, iniciou uma campanha de assinaturas que visa chamar a atenção do governo do seu país para a necessidade de adopção de medidas mais eficazes para a preservação da floresta e para a defesa dos povos nativos.
Convido-vos a que visitem o site do movimento em www. amazoniaparasempre.com.br e, depois de lerem a Carta Aberta (uma declaração profunda de Amor à Amazónia), demonstrem a paixão pela causa, assinando o manifesto. Toda a Criação agradecerá.
