Mensagem dos Bispos do Centro aos padres das suas dioceses

Ano Sacerdotal – Quaresma de 2010 Como sabeis, nós, Bispos das vossas Dioceses, como expressão de comunhão entre nós, reunimo-nos todo os meses, indo a cada diocese, para rezar, conviver, partilhar e reflectir os problemas pastorais comuns, sentidos e vividos no dia a dia.

Estamos no Ano Sacerdotal e iniciamos o tempo da Quaresma. Decidimos, por isso, numa das nossas últimas reuniões, dirigir-vos uma mensagem fraterna e amiga, como expressão de estima e de gratidão pela vossa colaboração diária e, ao mesmo tempo, como palavra de estímulo para o trabalho pastoral acrescido que a todos é pedido neste tempo quaresmal, rumo à Páscoa do Senhor.

A Quaresma é para vós tempo de maior esforço e ajuda mútua, porque sois agora especialmente chamados a celebrar o sacramento da Reconciliação, com todo o significado que ele tem para a Igreja, para cada um de nós e para os cristãos em geral.

Parte essencial do exercício do ministério sacerdotal, tal como a celebração da Eucaristia, a celebração da Reconciliação convida-nos, não só a deixarmo-nos penetrar de entranhas de misericórdia para os que procuram o perdão de Deus, mas, também, ao exercer tão maravilhoso serviço pastoral, a procurar a nossa própria santificação.

Falando aos confessores da Diocese de Roma ( 20-03-1989), João Paulo II disse-lhes: “Ao comunicarmos aos fiéis a graça e o perdão no sacramento da Penitência, realizamos a acção cimeira do nosso sacerdócio, depois da celebração da Eucaristia… Eu diria que o sacerdote, ao perdoar os pecados, vai de certo modo para além do já sublime ofício de embaixador de Cristo, uma vez que quase alcança uma identificação mística com Cristo”. Esta palavra é também para todos nós, ministros do perdão de Deus.

O exemplo do Santo Cura de Ars é, particularmente neste campo, muito estimulante. Para além do cumprimento dos outros deveres pastorais, ele tornou-se, como confessor, ponto de encontro com Deus de todos os penitentes que, idos de muitos lados, o procuravam atraídos pela sua santidade. Ele sabia traduzir, de modo simples, um profundo sentido de Deus, rico em misericórdia, proporcionando aos penitentes acolhimento fraterno, compreensão paciente e orientação segura para as suas vidas.

Estamos conscientes, apesar das dificuldades pastorais sentidas neste ministério em razão de uma tradição pouco esclarecida, bem como da crescente insensibilidade ao pecado, que a confissão sacramental é sempre um acontecimento de graça para os que procuram a graça do perdão e da reconciliação com Deus.

Sede, caríssimos padres, diligentes e generosos, não só no tempo quaresmal, mas ao longo do ano pastoral, proporcionando aos cristãos tempos adequados, frequentes e com horários acessíveis para que se poderem abeirar do sacramento da Reconciliação.

Se procurarmos nós próprios ser fiéis à celebração pessoal da Reconciliação, a misericórdia de Deus, pela experiência espiritual vivida, molda o nosso coração, e à imitação de Cristo para com os pecadores, conduz-nos à maior compreensão dos penitentes e ao acolhimento fraterno.

Todos temos experiência da alegria pessoal sentida ao vermos um pecador que se converte e encontra paz interior no perdão recebido e no amor reencontrado.

Quantos frutos produz este apostolado silencioso do confessionário! Nem nós, mediadores de Deus, Pai rico em misericórdia, o saberemos alguma vez por completo.

Este apelo à generosidade e prontidão na celebração da Reconci-liação, pretende, também, ajudar a fidelidade de cada um ao dom recebido na ordenação sacerdotal.

Se na celebração sacramental se experimenta ao vivo a fidelidade de Jesus Cristo, Redentor do homem pecador, não pode este seu gesto ser senão mais um estímulo à nossa fidelidade a Deus e aos irmãos.

A dignificação do Sacramento da Penitência, em relação ao qual se vai sentindo menor apreço por parte de muitos cristãos, não se poderá operar sem o contributo pessoal e colectivo dos ministros da Igreja que nele ope-ram, como mediadores necessários do perdão de Deus.

Preparai-vos espiritualmente para cada celebração, ajudai também os penitentes a prepararem-se para sentirem, em verdade, a dor pelos pecados cometidos e o propósito de conversão, e fazei que cresça em todos a confiança na misericórdia de Deus, nosso Pai.

Desejamos que a Páscoa que se aproxima aumente em vós a alegria do vosso sacerdócio e, a exemplo d Cristo, a contínua e generosa dedicação aos irmãos.

Unidos ao Senhor e procurando ser fieis ao seu projecto de salvação universal, vos saudamos com a expressão da nossa estima fraterna.

Aveiro, 16 de Fevereiro de 2010

Os Bispos, diocesanos e eméritos, de Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria – Fátima, Portalegre e Castelo Branco e Viseu