Com a vida de Santa Joana como pano de fundo, D. António Francisco reflectiu sobre “a nossa missão de cristãos ao serviço da cidade”.
“A Igreja faz parte da cidade e não se pode dispensar de se interrogar em permanência sobre a sua missão na cidade”, afirmou D. António Francisco, no dia 12 de Maio. O dia da padroeira da Cidade e da Diocese foi uma oportunidade para o Bispo de Aveiro reflectir sobre estas duas entidades. “A solenidade de Santa Joana, centrada na Eucaristia, celebrada nesta Sé Catedral, aqui tão perto do convento que ela escolheu para viver, ajuda-nos a reflectir sobre a nossa missão de cristãos ao serviço da cidade”, afirmou.
Para D. António Francisco, esta missão “consiste essencialmente em estabelecer um diálogo de acolhimento solidário e fraterno e um compromisso de nova e contínua evangelização”. O Bispo de Aveiro apontou vários exemplos da colaboração Igreja/Cidade: “A harmonia de uma sã convivência social, o esforço conjunto de um progresso justo e sustentado, o respeito sagrado pela vida e pela dignidade humana, a paz e a segurança com que cruzamos as nossas ruas, a preparação de um futuro feliz para as crianças e jovens, o sentido de gratidão para os que construíram a cidade que somos, o sentido do divino e do transcendente”. “O lugar de Deus na cidade dos homens passa necessariamente por aqui”, rematou.
Modelo vocacional
Recordando factos da vida de Joana, nomeadamente que fora jurada princesa herdeira do reino pelas Cortes, D. António afirmou que a padroeira de Aveiro é modelo vocacional: “Vencendo constrangimentos, projectos diferentes ou sonhos ambiciosos, que outros para ela iam delineando”, “deixou-se guiar pela voz de Deus, sem se perturbar pelos ruídos do mundo nem pelas seduções da Corte”. “Urge aprender com Santa Joana esta cultura vocacional (…). Precisamos da sua bênção e sabemos que contamos com a sua protecção”, concluiu.
No final da celebração, D. António Francisco lembrou a menina que no dia 3 de Maio desapareceu no Algarve. “Todos somos necessários para construir um país de paz, harmonia, concórdia e felicidade”, disse. No dia de Santa Joana, Madeleine completou 4 anos de idade.
“Os pobres não receiem bater à porta da Igreja”
“O exemplo de Santa Joana ensina-nos o que o evangelho sempre nos disse: a missão da Igreja nunca foi dominar mas sim humanizar e servir, com particular e fraterno afecto aos mais pobres, esquecidos ou desamparados pela vida e pela sorte. Neste dia solene, o primeiro que vivo convosco, nesta Igreja que o Espírito de Deus me enviou a servir, sinto o dever de dizer aos pobres e aos que sofrem que não receiem bater à porta da Igreja de Aveiro neste limiar do século XXI, como o faziam à porta do Convento de Jesus no tempo de Santa Joana. A Igreja, a exemplo de Jesus, o seu mestre e fundador, nunca esgotou a ousadia da caridade, da justiça, do amor e da compaixão.”
D. António Francisco
