A força de Joana vinha da Eucaristia

D. António na missa da festa da padroeira “Sempre a Eucaristia foi para ela, como o é para cada cristão, a grande forma interior”, disse D. António Marcelino, na missa da festa de Santa Joana, quinta-feira, na Sé de Aveiro. Joana e a Eucaristia, a vocação à santidade e a necessidade de os jovens terem modelos de vida foram os temas mais fortes da homilia do Bispo de Aveiro, no dia da padroeira da cidade e da diocese.

D. António retomou as palavras do biógrafo de Santa Joana para, em Ano da Eucaristia, sublinhar a centralidade deste sacramento na vida dos cristãos: “Notava-se na Princesa, já então em Aveiro, um extraordinário amor ao Santíssimo Sacramento e ao culto eucarístico, além da devoção à Paixão do Senhor. Tinha esta Senhora sempre ordenadamente sua capela e capelães, que continuamente diziam missas, segundo ela ordenava e era sua devoção. Tal programa tinha apenas como finalidade o serviço de Deus e a sua consolação”. “O amor à Eucaristia não é uma devoção opcional para um cristã esclarecido. A vivência eucarística é expressão fundamental da vida cristã”, acrescentou o Bispo de Aveiro.

A Princesa comungava “quinze vezes por ano”

Da vida de Santa Joana, o Bispo de Aveiro respigou alguns episódios eucarísticos. Um deles foi a repetição do gesto de Jesus Cristo na Última Ceia. Na Quinta-feira Santa, Joana pedia “que lhe trouxessem à corte doze mulheres, ‘as mais estrangeiras, pobres e miseráveis’ diz o seu cronista, a quem lavava pés e mãos, os enxugava e beijava”. Joana imitava o autor da Eucaristia, aquele que lhe deu a coroa que colocou no brasão de princesa.

Por outro lado, de acordo com a Regra do Mosteiro e os costumes do tempo, “a comunhão eucarística podia receber-se até quinze vezes por ano, de harmonia com o número e a disponibilidade dos confessores que ajudavam a preparar a comunhão. Segundo esta Regra viveu a Santa Princesa a sua vida em Aveiro”. Nos seus últimos dias de vida, na Páscoa de 1490, Joana já não pôde descer ao coro para participar na missa, mas, da sua cama, abertas as portas do coro de cima, “seguiu com grande piedade os ofícios litúrgicos”. Nos derradeiros dias da sua vida, já em “grande sofrimento”, celebravam a Eucaristia na sua cela.