A Águas da Região de Aveiro vai ter 350 trabalhadores. Os dez serviços municipalizados que serão extintos têm 500. Autarcas não vão despedir, vão recolocar
A nova empresa de fornecimento de água e saneamento, para já conhecida por AdRA (Águas da Região de Aveiro), deverá entrar em funcionamento em Março ou Abril de 2010 e não em Janeiro, como chegou a ser anunciado. “Mais mês, menos mês, não é esse o problema. O problema é fazer bem”, disse Ribau Esteves, no encontro com jornalistas, após a reunião da CIRA (Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro), a primeira depois das eleições autárquicas e que serviu para eleger o conselho executivo. Ribau Esteves (Ílhavo) continua a ser o presidente, agora tendo como vice-presidentes Gil Nadais (Águeda) e José Eduardo Matos (Estarreja), este último reconduzido no cargo.
Para “fazer bem”, retomando a expressão do presidente da CIRA, a AdRA e as câmaras municipais têm de resolver o problema dos funcionários que não passarem para a nova empresa.
Segundo o estudo provisional, AdRA prevê ter 350 funcionários, uns captados nos serviços municipalizados e outros no mercado de trabalho. Ora, somados os que actualmente trabalham nas águas e saneamento das câmaras municipais, alcança-se o número de 500 funcionários. O que vai acontecer aos funcionários excedentes? O problema terá várias soluções, conforme adiantaram os presidentes de câmara que estiveram no encontro com os jornalistas. Ribau Esteves esclareceu que as situações são diversas e deu um exemplo: “Temos um engenheiro que ocupa 20% do seu tempo em águas. Já lhe disse: «Não vá. Prefiro que fique cá.» Mas ele é que vai dizer se fica ou se vai”. Gil Nadais adiantou que numa primeira reunião disse aos funcionários dos seus serviços que ouçam as condições e depois decidam se querem ir para a nova empresa ou ficar. O mesmo diz José Eduardo Matos aos funcionários das águas e saneamento de Estarreja. “Vou dizer-lhes: «Decidam o que é melhor para as vossas vidas. Não vamos para lay-off, nem vamos encerrar»”. Se um funcionário não for convidado para a nova empresa, o que pode acontecer em virtude da extinção do seu posto de trabalho é ser recolocado noutro serviço. Nunca os presidentes usaram a palavra “despedimento” ao abordar esta questão.
A CIRA está representada na administração da AdRA através de José Eduardo Matos e José Agostinho Pereira (Albergaria). Dois sindicatos, um afecto à UGT e outro à CGTP têm dialogado com os presidentes das câmaras e a administração da nova empresa. O primeiro tem mostrado menos oposição às soluções encontradas.
J.P.F.
CIRA aceita o traçado A do TGV
O traçado A do TGV, a nascente da A1, é o menos mau. O outro, o B, entre a A1 e a A29/A17, foi preterido. Embora igualmente exigindo medidas de menorização de danos, a CIRA subscreveu o parecer dos cinco municípios associados que serão atravessados pela rede ferroviária de alta-velocidade e que se pronunciaram pelo traçado A. São eles Oliveira do Bairro, Aveiro, Albergaria, Estarreja e Ovar. O parecer tinha de ser dado até 9 de Novembro.
José Eduardo Matos, de Estarreja, considera que o traçado A é “um abalo” suportável. O outro, que abriria um novo canal no concelho de Estarreja no meio dos já existentes (A1 e A29) seria um “autêntico terramoto”.
