Geografia do mundo. Não, não se diga mais nada!

Ponta de Lança É muito provável que o êxtase com que a maioria das pessoas contempla uma bonita paisagem, como cada um se deixa transportar para uma estância exótica, sempre que é solicitado o destino de férias ideal, e em tantas outras circunstâncias idênticas que se torna fastidioso enumerar, pode indiciar – estamos convictos da certeza – que há no ser humano um desejo de harmonia e de contemplação que impele à superação da rotina, à abstração, à extensão do olhar para além do pontual, medíocre, banal.

Os acontecimentos recentes convidam a rasgar o horizonte. Às tensões que têm vindo a emergir e que, nos últimos apontamentos aqui fazemos referência, junta-se o atentado de Boston.

Se colocados numa montanha imaginária e olharmos a geografia do mundo; se, utilizando as novas tecnologias, rodarmos sobre nós próprios na plataforma 3D do Google Earth; se lermos os jornais; se fizermos uma retrospetiva histórica;… constataremos que há qualquer coisa de estranho à nossa volta: tão belo na harmonia global, tão estragado sob os nossos pés! A geografia do mundo pode ganhar em harmonia mas perde para a assimetria. Já cansam as palavras para tantos dislates!

Relendo o Cancioneiro de Fernando Pessoa…

Não: não digas nada!

Supor o que dirá

A tua boca velada

É ouvi-lo já

É ouvi-lo melhor

Do que o dirias.

O que és não vem à flor

Das frases e dos dias.

És melhor do que tu.

Não digas nada: sê!

Graça do corpo nu

Que invisível se vê.