Festival JOTA Festival Jota atraiu 1800 jovens a S. Jacinto. “O rumo certo é aqui”. Entre música e muitas outras actividades, convidou-se ao encontro com Jesus Cristo
Muito mais do que música. Amizade. Reflexão. Praia. Desporto. Diversão. Artes. Debate. Oração. Foi assim o Festival Jota, nos dias 24, 25 e 26 de Julho, em S. Jacinto. Jota de J.C. Porque “Jesus Cristo faz a diferença”. Há muitos mais festivais de Verão pelo país fora. Mas este é dos poucos que dizem aos jovens: Tu podes contribuir para um mundo melhor. Outros dispersam. Este ajuda a consciencializar. Outros divertem, mas este põe Jesus Cristo na diversão.
“Vim pela segunda vez. Faz falta aos jovens cristãos iniciativas deste tipo. Há muito a ideia de que o cristão é sisudo, que não se pode divertir… Este festival desmente essa ideia. Felizmente vejo por aqui muitos mais novos que eu que já pensam de outra maneira. E ainda bem”, diz Ana Jesus, 19 anos, da Batalha. Por coincidência, estuda Biotecnologia na Universidade de Aveiro, mas nunca tinha atravessado a Ria para o lado de S. Jacinto.
Como em qualquer festival de Verão, o prato forte é a música. Houve La Voz del Desierto, um grupo espanhol formado por padres e seminaristas, que provavelmente foi o mais apreciado; os Terceira Margem; João Paulo Vaz, padre da diocese de Coimbra, e a sua banda; Simplus; Banda Jota, liderada pelo P.e Jorge Castela, que iniciou os festivais Jota na Guarda e continua a ser o director artístico; Héber Marques, cristão evangélico; ou Gaby Soñer, um cantor de “heavy metal” que há cerca de uma década se converteu e agora anuncia o evangelho através do rock.
É possível anunciar o evangelho através do rock? Talvez um concerto ao ar livre, com altos decibéis e adrenalina, não seja o melhor ambiente para entrar dentro de si. Mas há apelos que vão ficando. «O melhor que pode acontecer na tua vida é Cristo dizer-te: “Vem comigo”», diz um dos padres espanhóis de La Voz del Desierto, entre duas canções. Para provocar a audiência fala de Cristiano Ronaldo. Ouvem-se assobios. Mas insiste na mensagem: “Cristo diz «Vem comigo», hoje, aqui em São Jacinto”.
Se não ficarem as mensagens, ficam as sensações, como explica o P.e Rui Barnabé, que trouxe este evento para a diocese de Aveiro e liderou a organização: “O Festival foi apelativo para qualquer jovem que por cá tenha passado. Sabemos que alguns regressam à Igreja com esta iniciativa. Experimentam um rosto de Igreja diferente e melhor. Admiram e apreciam o facto de a Igreja estar a apostar em actividades deste tipo. Penso que assim fazemos um primeiro encontro e uma primeira evangelização”.
Pelo festival passaram 1800 jovens (incluindo alguns adultos): mil acampados pelo menos durante uma noite, mais os 120 voluntários da organização, mais o pessoal das bandas e outros que só entraram no parque desportivo de S. Jacinto para ver este ou aquele concerto. “Foi um grande acontecimento para a Igreja de Aveiro e de Portugal”, afirma P.e Rui Barnabé, frisando que os resultados vão espalhar-se ao longo do tempo.
Duplicando a participação em relação às duas edições anteriores, a edição de Aveiro colocou o Jota noutro patamar. “Estou agradado. A juventude aderiu bastante. Está a ser maravilhoso”, diz P.e Jorge Castela, iniciador do festival, ao Correio do Vouga. “Já era um festival nacional e o grande festival da juventude católica em Portugal. Mas com esta itinerância ganha um novo rumo. A organização soube dar o seu cunho. Se fosse sempre a mesma, talvez se ganhasse em traquejo, mas perdia-se em originalidade”, acrescenta.
A próxima edição do Jota será em Paredes de Coura, terra habituada a receber outros festivais, mas não de sinal católico. Muitos dos jovens que estiveram em S. Jacinto vão querer repetir a dose. O Secretariado da Pastoral Juvenil da diocese de Viana do Castelo que se prepare.
J.P.F.
Impressões
Um jovem: “Para além das palavras”
Sou animador e estou aqui com mais três jovens da minha terra. Na minha paróquia dizemos que se deve “evangelizar até com palavras, se for preciso”. Este festival, dando protagonismo à música, perto da praia, no meio da natureza, mostra que a beleza predispõe para a escuta. Iniciativas como estas evangelizam para além das palavras. Dizem-nos que Cristo está sempre à nossa espera”.
Luís Sousa, animador da paróquia de Gueifães (Maia)
Um padre: “Grande doação”
“Realço a participação e o entusiasmo dos 120 voluntários que tornaram possível o Jota. Há uma capacidade de organização e de trabalho notável. Os voluntários eram todos gente nova. O mais velho devia ter 35 anos. É bom que se saiba que houve uma grande doação, que há muitos jovens identificados com este trabalho de Igreja. Alguns disseram-me: «Quando for preciso, cá estamos»”.
P.e Rui Barnabé, director do Secretariado da Pastoral Juvenil e Vocacional de Aveiro
Um bispo: “Encontro muito variado
e muito positivo”
“Foi muito positivo encontrar estes jovens de diversos pontos de país. Convivem em tempo de férias e abordam problemas da sociedade e da Igreja. É importante. No meu espaço falámos da justiça e da desigualdade entre géneros, entre ricos e pobres, entre países e culturas. Falou-se da imposição dos valores do Ocidente às outras culturas e da desigualdade entre homem e mulher no trabalho. Vim ontem [dia 24] à noite. Vi parte dos concertos. Estou a achar um encontro muito variado e muito positivo”.
D. Carlos Ximenes Belo, que orientou um fórum sobre “Educar para a Paz”
