
No Dia Mundial da Alimentação, Leão XIV visitou a sede da FAO em Roma, onde apelou a mobilização urgente no combate à fome e à má nutrição. O pontífice sublinhou que “quem padece fome não é um estranho. É meu irmão e devo ajudá-lo sem demora” e apelou à cooperação entre agências internacionais, governos, ONG e sociedade civil
“Seiscentos e setenta e três milhões de pessoas no mundo ainda vão para a cama sem comer e que outros dois mil e trezentos milhões não têm acesso a alimentação nutricionalmente adequada. Permitir que milhões de seres humanos vivam — e morram — atingidos pela fome é um fracasso coletivo, um desvio ético, uma culpa histórica”, disse ontem o Papa Leão XIV no discurso que dirigiu aos responsáveis internacionais na sede da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, em Roma.
Na ocasião o Papa denunciou o uso da fome como arma de guerra e a persistência de desigualdades extremas, questionando os presentes sobre a incoerência entre as palavras e a ação.
“Como podemos tolerar que se desperdicem enormes toneladas de alimentos enquanto multidões procuram no lixo algo para levar à boca?”, disse.
Lembrando o lema para este Dia Mundial da Alimentação [ndr: De mãos dadas por uma alimentação e um futuro melhores], Leão XIV lembrou que “apenas unindo as nossas mãos poderemos construir um futuro digno, no qual a segurança alimentar se reafirme como um direito e não como um privilégio”.
O pontífice destacou também o papel fundamental da mulher na luta contra a fome, pois são elas as primeiras a velar pelo pão que falta, a semear esperança nos sulcos da terra, a amassar o futuro com as mãos calejadas pelo esforço. Em cada recanto do mundo, a mulher é uma silenciosa arquiteta da sobrevivência, guardiã metódica da criação”, desenvolveu.
Evocando alguns dos lugares do mundo onde a fome alastra o Papa disse ser hora de “repensar, com audácia, as modalidades da cooperação internacional” pois “não podemos aspirar a uma vida social mais justa se não estivermos dispostos a libertar-nos da apatia que justifica a fome como se fosse uma música de fundo a que nos habituámos, um problema insolúvel ou simplesmente uma responsabilidade alheia”.
Na parte final do seu discurso Leão XIV desafiou à partilha entre os povos de modo a “podermos afirmar – com verdade e coragem – que ninguém foi deixado para trás.
“Não basta invocar a solidariedade: devemos garantir a segurança alimentar, o acesso aos recursos e o desenvolvimento rural sustentável”, completou.
Imagem: VATICAN MEDIA
Educris|17.10.2025




