
Na missa de encerramento das Jornadas Nacionais de Catequistas, e em pleno Domingo Mundial das Missões, presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé desafiou a Igreja a “despertar para a missão” e apontou “a oração, a fidelidade e o anúncio” como caminhos essenciais para que a fé continue viva nas novas gerações
D. António Augusto Azevedo lançou ontem um forte apelo às “comunidades cristãs” para que reavivem “o sentido de responsabilidade e de missão na transmissão da fé”.
“E o Filho do Homem, quando vier, encontrará fé sobre a Terra?”, questionou o prelado, citando o Evangelho. “Esta pergunta deve funcionar como um despertador. Despertar-nos para a missão.”
O bispo de Vila Real recordou que, passados dois mil anos, a missão da Igreja continua a ser anunciar o Evangelho de Jesus, sublinhando que “a parte de Deus está cumprida” através da entrega de Cristo, mas que “a resposta da humanidade continua em aberto”.
“Cada geração tem de dar a sua resposta. A de hoje tem especiais responsabilidades, porque vive num contexto cultural que afastou a fé dos princípios fundamentais da sociedade”, afirmou.
Três caminhos para reavivar a fé
Inspirando-se na liturgia do Domingo, D. António Augusto Azevedo indicou a “oração, a fidelidade e o anúncio” como três condições essenciais para que a Igreja de hoje possa responder afirmativamente à pergunta de Jesus.
“A primeira condição é a oração sem desanimar”, explicou, evocando a parábola da viúva persistente.
“Cumprimos a missão confiando em Deus, numa atitude de vida orante, capaz de partilhar com Ele alegrias e sofrimentos”, disse.
O segundo passo, acrescentou, é permanecer fiel à fé recebida, “na comunidade cristã e na família”, pois “essa fé iluminada pela Palavra de Deus é o testemunho que somos chamados a transmitir”.
Por fim, o bispo destacou o empenho no anúncio da Palavra, num tempo em que “a geração de hoje é talvez a que mais desconhece a Sagrada Escritura”.
“É preciso levá-la a quem não a conhece, aprofundá-la com quem tem apenas uma visão superficial, e ajudá-los a descobri-la como verdadeira palavra de vida e salvação”, desafiou.
Uma missão vivida com esperança
Na parte final da sua homilia, o presidente da CEECDF convidou os catequistas e as comunidades cristãs a viverem esta missão com esperança.
“Quem se empenha na transmissão da fé tem sempre a esperança de que alguma coisa germinará. Esta é a missão da Igreja — que a fé germine mais forte entre nós.”
O prelado concluiu com um apelo à coragem e ao renovamento de um ardor missionário em cada comunidade.
“Hoje, transmitir a fé exige um renovado empenho e uma renovada coragem. Mas com o Espírito do Senhor, seremos capazes de dizer sim: vivemos com alegria a fé e transmitimo-la àqueles que virão depois de nós”, completou.
Educris|20.10.2025



