Papa aos bispos: Com Romero «Sentir com a Igreja»

Reflexão do Papa aos bispos,na Igreja de São Francisco de Assis, centrou-se na figura do santo D. Óscar Romero (1917-1980), canonizado em outubro de 2018, no Vaticano

«Sentir com a Igreja» foi o tema central do discurso do Papa aos bispos centro-americanos. O Papa Francisco começou por agradeceu aos bispos a oportunidade de se tornar “próximo e abraçar os vossos povos e essa fé provada e sensível do rosto pobre das vossas gentes que sabe que Deus está presente. Não dorme. Está ativo. Observa e ajuda!”.

O Papa lembrou o “rasgo” dos bispos da América central ao criarem o Secretariado Episcopal da América Central (SEDAC) que reúne bispos do Panamá, El Salvador, Costa Rica, Guatemala, Honduras e Nicarágua:

“Os pastores desta região foram os primeiros a criar um organismo de comunhão e discernimento e compromisso que nutre revitaliza e enriquece as vossas igrejas. Pastores que souberam adiantar-se ao seu tempo”.

Para Francisco “este é um instrumento que mostra que o futuro do mundo passa pela lucidez e pela capacidade que se tenha de ampliar o olhar, unir os esforços e por um trabalho generoso de discernimento de modo a perceber onde está o Espírito a levar-nos”.

Numa região fortemente marcada “pelas ditaduras e pelo abuso do poder”, o papa argentino recordou os “muitos na Igreja que ofereceram o seu sangue perante a injustiça, o empobrecimento e o abuso do poder. Mantiveram assim a voz da igreja junto dos oprimidos e dos fracos”.

O Papa destacou “a figura de Óscar Romero” porque “a sua vida e ensinamento são fonte de inspiração para as nossas igrejas. De modo particular para nós, os bispos. O lema do seu escudo episcopal expressa os seus princípios de pastor: «sentir com a Igreja»”, precisou.

“Este é um legado que pode transforma-se em testemunho. Nós que somos chamados à entrega do martírio do nosso povo.  Apelar à figura de Romero é apelar à santidade e ao ADN das vossas igrejas. Reconhecer e estar agradecido”.

Uma Igreja que salve os jovens da violência e da «cultura da morte»

Na segunda parte da sua reflexão Francisco pediu aos prelados uma ação concertada para “roubar à rua” os mais jovens “antes que a cultura de morte” os leve e considerou-os “um lugar teológico por excelência”:

“Exorto-vos a promover programas e centros educativos que saibam acompanhar, apoiar e responsabilizar os vossos jovens; roubai-os à rua, antes que a cultura de morte, vendendo-lhes fumo e soluções mágicas, se apodere e aproveite da sua inquietação e imaginação”, declarou.

Acolhimento nas JMJ

No final do dia de hoje o Papa participa na cerimónia de «acolhimento da Jornada Mundial da Juventude».

O momento, que vai ser marcado pela festa e pela oração, foi recordado pelo papa, na reunião com os bispos:

“Esta Jornada Mundial da Juventude é uma oportunidade única para sair ao encontro e aproximar-se ainda mais da realidade dos nossos jovens, cheia de esperanças e sonhos, mas também profundamente marcada por tantas feridas”, apontou.

Educris|24.01.2019

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