O professor Fernando Moita, diretor do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), desafiou os catequistas de São Miguel e de Santa Maria, nos Açores, a anunciarem o Evangelho com ousadia, esperança e realismo, sublinhando que “o tempo em que vivemos é sempre um tempo novo” e exige uma catequese atenta à sociedade concreta em que se insere.

Na sua intervenção, na abertura das Jornadas de Catequistas 2026, promovidas pela Delegação de apoio à Evangelização, Catequese e Missões da Diocese de Angra, sob o tema «Anunciar o Evangelho em Tempo Novo», o responsável agradeceu “o serviço dos catequistas”, e lembrou que “Igreja deve muito a quem cuida do tesouro precioso que é a fé”.
“Cada um de vós pode sentir-se orgulhoso, santamente orgulhoso, por aquilo que é e por aquilo que faz”, afirmou, reconhecendo o papel central dos catequistas na transmissão da fé a crianças, jovens e adultos.
Partindo do trecho bíblico que narra o encontro de Maria Madalena com o Ressuscitado, o diretor do SNEC sublinhou que o anúncio cristão nasce sempre de um encontro pessoal com Jesus.
“A certeza de Maria Madalena é simples e decisiva: ‘Vi o Senhor’. É esta experiência que a leva ao anúncio”, afirmou, defendendo que a catequese é chamada a ser “eco” dessa experiência viva.
“A catequese não é repetir o que vem nos livros, é fazer ressoar Deus que nos habita”.
Fernando Moita refletiu sobre as transformações profundas da sociedade contemporânea, marcadas “por mudanças rápidas, novos medos, novas linguagens e ritmos” de vida diferentes.
“Vivemos tempos de grande volatilidade, em que as referências mudam e em que o medo não é bom conselheiro”, advertiu, alertando para o risco de uma Igreja fechada ou cristalizada.
Para o responsável do SNEC, a sociedade atual não pode ser olhada como um problema, mas também um espaço de oportunidades e de bem.
“Não queiram viver noutra sociedade nem noutra Igreja. É esta a sociedade e é esta a Igreja que Deus nos dá para amar, servir e construir”, afirmou.
O diretor do SNEC destacou ainda a “emergência de novas espiritualidades” e a necessidade de uma “linguagem que fale à vida concreta das pessoas”.
“Os pais, os adolescentes e os jovens procuram uma espiritualidade que se veja, se entenda e se sinta”, afirmou, alertando para o risco de uma vivência da fé reduzida a consumo religioso.
“A catequese não pode ser um supermercado onde se escolhe apenas o que agrada”, sublinhou.
Numa referência ao Concílio Vaticano II e ao atual processo de sinodalidade, Fernando Moita lembrou que a Igreja continua em caminho conciliar, chamada a refletir em conjunto sobre a melhor forma de anunciar o Evangelho hoje.
Evocando a constituição Gaudium et Spes, afirmou que a Igreja é chamada a partilhar “as alegrias e as esperanças” do mundo contemporâneo, sem ingenuidade, mas com compromisso e participação ativa.
Na parte final da intervenção, o responsável do SNEC deixou um apelo direto aos catequistas.
“Que cada criança, adolescente e jovem se sinta amado por Deus e possa estabelecer uma relação viva com Jesus”.
Para Fernando Moita, anunciar o Evangelho em tempo novo passa por viver o querigma de forma simples e essencial: “Jesus ama-te, deu a vida por nós e vive connosco”.
Educris|09.02.2026



