Vaticano: «A fé não é um salto no escuro, mas abre os olhos à vida», afirma o Papa

Leão XIV desafiou hoje os cristãos a viver uma fé “de olhos abertos”, atenta ao sofrimento do mundo.

No comentário ao Evangelho deste quarto domingo da Quaresma, conhecido como Laetare (da alegria), o Papa Leão XIV afirmou que a fé cristã “não é uma fuga à realidade”, mas uma forma de olhar o mundo com a luz de Cristo.

Partindo do episódio da cura do cego de nascença, narrado no Evangelho de São João, o Papa explicou que este sinal revela o mistério da salvação e a missão de Jesus como luz da humanidade.

“Enquanto estávamos na escuridão e a humanidade caminhava nas trevas, Deus enviou o seu Filho como luz do mundo, para abrir os olhos dos cegos e iluminar a nossa vida”, afirmou.

O pontífice recordou que os profetas já tinham anunciado que o Messias abriria os olhos dos cegos e sublinhou que todos os seres humanos experimentam uma espécie de cegueira diante do mistério da vida. “Todos podemos dizer que somos ‘cegos de nascença’, pois não conseguimos, por nós mesmos, ver em profundidade o mistério da vida”, disse.

Segundo o Papa, “é o encontro com Cristo” que permite uma nova forma de ver a realidade.

“Deus encarnou-se em Jesus, para que o barro da nossa humanidade, misturado com o sopro da sua graça, pudesse receber uma nova luz”, explicou.

Na sua reflexão, o Papa contestou também a ideia de que acreditar significa renunciar ao pensamento ou aceitar algo de forma irracional. “A fé não é um ato cego, uma renúncia à razão”, afirmou, acrescentando que o Evangelho mostra precisamente o contrário: “Ao entrar em contacto com Cristo, os olhos se abrem”.

Leão XIV insistiu na ideia de que “os cristãos são chamados a viver uma fé que ilumine a vida e a realidade”, no concreto do dia a dia.

“Também nós, curados pelo amor de Cristo, somos chamados a viver um cristianismo ‘de olhos abertos’”, sublinhou.

Citando a encíclica Lumen fidei, do seu predecessor, o Papa explicou que acreditar significa aprender a olhar a realidade com o olhar de Jesus.

“A fé ajuda-nos a olhar a partir da perspetiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver”, afirmou.

Perante os desafios do mundo atual, marcados por violência, injustiça e sofrimento, o Papa convidou os fiéis a cultivar uma fé vigilante e comprometida.

“É necessária uma fé vigilante, atenta e profética, que nos abra os olhos para as trevas do mundo e lhe traga a luz do Evangelho”, afirmou, sublinhando o compromisso dos cristãos com a paz, a justiça e a solidariedade.

No final da sua reflexão, e ainda antes da recitação da oração mariana do Ângelus, o Papa Leão XIV confiou esta intenção à intercessão de Virgem Maria, pedindo que a luz de Cristo “abra os olhos do nosso coração” para que os cristãos possam dar testemunho do Evangelho “com simplicidade e coragem”.

Imagem: Vatican Media

Educris|16.03.2026

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