Quaresma desafia a “escutar, jejuar e caminhar juntos” numa cultura de proximidade e paz

Comissão Nacional Justiça e Paz propõe uma vivência quaresmal centrada na escuta dos mais vulneráveis e no compromisso com a justiça.

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) desafiou hoje os cristãos a viver a Quaresma como “dum caminho de proximidade com Deus, com os outros e com a criação”, a partir das três palavras propostas pelo Papa Leão XIV: escutar, jejuar e caminhar juntos.

Na reflexão quaresmal de 2026, o organismo a CEP sublinha que a “escuta da Palavra de Deus não pode ficar encerrada numa dimensão espiritual desligada da realidade, devendo traduzir-se em ação concreta”.

“A escuta conduz à atenção às necessidades dos mais pobres, dos que vivem nas periferias e das múltiplas formas de sofrimento presentes na sociedade”, lê-se.

Citando o Papa, a CNJP recorda que “a condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida”, questionando até que ponto essa escuta tem consequências práticas no quotidiano.

A reflexão evoca também as “recentes tragédias climáticas em Portugal”, alertando para o risco de uma resposta limitada a gestos pontuais ou a “lamentos”, e apelando a uma solidariedade continuada com quem perdeu casa, sustento e dignidade.

Sobre o jejum, próprio do tempo quaresmal, a Comissão convida a ultrapassar “uma visão meramente formal ou cultural” desta prática, propondo antes um “caminho de transformação interior e ética”. Inspirada nas palavras do Papa Leão XIV, a organização defende que o jejum deve ajudar a “discernir e ordenar os ‘apetites’”, conduzindo a uma maior atenção à justiça e ao outro.

Os responsáveis católicos apontam  formas concretas de viver o jejum no quotidiano, como a contenção nos julgamentos, o cuidado com as palavras — especialmente nas redes sociais — e a rejeição de atitudes de exclusão ou divisão.

A terceira dimensão destacada é a do “juntos”, entendida como expressão de comunhão e caminho sinodal. A CNJP sublinha a importância da vivência comunitária, da reconciliação e da construção de uma Igreja inclusiva, onde todos têm lugar.

Num contexto internacional marcado por guerras e conflitos — da Ucrânia ao Médio Oriente, passando por África e Ásia —, a Comissão alerta para a urgência de promover uma cultura de paz. O documento questiona se os cristãos são capazes de construir um “nós” que rejeite a guerra e ofereça sinais concretos de esperança.

A reflexão termina com o apela a que a Quaresma não seja “vivida como repetição, mas como uma oportunidade nova de conversão e renovação.”

“Um caminho que, assente na escuta, no jejum e na comunhão, conduza a uma vivência mais profunda da fraternidade e da paz, em direção à Páscoa”, completa.

Imagem: Unsplash

Educris|17.03.2026

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