JNC25: «A arte é uma maneira de dizer Deus», afirma o padre Rui Ruivo

Sacerdote coordenou «celebração mistagógica» nas Jornadas Nacionais, num momento que uniu fé e expressão artística nas Jornadas de Catequistas

O padre Rui Ruivo, da Diocese de Leiria-Fátima, considera que a “arte é um meio privilegiado de evangelização e um caminho para compreender o mistério da fé”, e revela o desejo de uma “ainda maior ligação entre as diferentes formas de arte” e as “maneiras modernas de dizer a fé”.

Em declarações aos jornalistas, e no final do momento que uniu teatro, poesia, música e oração música, oração, o sacerdote explicou que o seu gosto pela arte nasceu antes mesmo da vocação sacerdotal.

“Antes de querer ser padre queria ser artista, queria ser ator”, recorda. “Achei sempre que ser padre não implica cortar com a vida que tivemos antes. A arte, e principalmente as artes de palco, são um meio muito grande de evangelização. Poder transmitir a fé desta forma é prazeroso.”

Desafiado pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã a conceber uma encenação orante em torno do Credo, o padre Rui Ruivo admite que o convite o fez “rezar ao Espírito Santo” antes de aceitar. O resultado foi um trabalho que envolveu crianças, jovens e adultos, cruzando gerações e talentos.

“Foi preciso conjugar esforços, ultrapassar obstáculos, mas tudo se tornou natural quando percebemos que era mesmo para fazermos e partilharmos esta fé que professamos neste Deus.”

A celebração, que combinou elementos teatrais com a oração do Credo, procurou traduzir o sentido da mistagogia, isto é, a descoberta do mistério da fé a partir da experiência vivida.

“A oração ajuda-nos a perceber a nossa fé. A arte pode-nos ajudar a entendê-la de forma simples. Nunca compreenderemos o mistério todo, mas podemos abrir-nos a ele”, explica o sacerdote.

Questionado sobre a relação entre arte e Igreja, Rui Ruivo reconhece que houve tempos de afastamento, mas considera que se vive agora uma nova aproximação entre as duas realidades.

“Já houve um grande divórcio, mas acho que agora estamos talvez em segundas núpcias. Há um reencontro entre a arte, nas suas diversas expressões, e a vivência da fé cristã.”

Para o padre e artista, a arte é mais do que um meio de expressão — é também uma forma de oração.

“A arte é uma grande maneira de dizer Deus. Às vezes o não dizer nada é uma grande maneira de dizer Deus”, completa.

Educris|20.10.2025

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