JNC25: «A fé cristã é dinâmica e viaja na História», afirma D. Alexandre Palma

Bispo auxiliar de Lisboa, esteve nas Jornadas Nacionais de Catequistas e sublinhou a importância da palavra e a necessidade de manter a fé conectada com a experiência contemporânea

D. Alexandre Palma, presidente da Fundação Jornada e investigador no CITER, da Universidade Católica Portuguesa, destacou hoje a importância da linguagem na transmissão da fé.

«A palavra humana é capaz de dizer Deus. As palavras que usamos com os nossos catequizandos não são coisas vazias. Têm a capacidade de tornar Deus presente sem o esgotar», afirmou.

Aos catequistas o bispo auxiliar de Lisboa exortou a estarem conscientes da sacralidade da palavra que utilizam, pois ela é central para a comunicação da fé.

Perante uma mudança de época que se acentua hoje o prelado alertou para a necessidade da fé acompanhar a evolução das linguagens na sociedade.

“Temos perigos de uma espécie de erosão da nossa gramática, do nosso vocabulário, um empobrecimento da nossa capacidade de falar, que é um desafio para a fé. Mas a linguagem verbal não é a única forma de comunicar. As imagens, a iconografia e outras linguagens também devem ser usadas com consciência e paciência», acrescentou.

«O testemunho e a celebração são a base da iniciação à fé»
D. Alexandre Palma recordou que a fé cristã nasce da experiência pessoal com Jesus, antes mesmo da teologia ou dos textos escritos.

«A fé nasce de uma experiência. Os primeiros cristãos são os amigos de Jesus, os que fizeram experiência nova de Deus neles. Primeiro passo: a experiência de estar com Ele, de se encontrar com Ele. Esta é a génese da Igreja, do cristianismo, da fé cristã», explicou.

Segundo o bispo, a transmissão da fé passa necessariamente pelo testemunho e pela liturgia. «Do testemunho à fé há uma dimensão querigmática e, da fé à celebração, uma dimensão litúrgica. A primeira tentativa de verter uma experiência humana em palavras vai acontecer no texto para testemunhar a fé e fazer memória», afirmou recordando alguns dos textos primordiais do cristianismo nascente.

A Igreja como sujeito da fé
Para D. Alexandre Palma, a Igreja é o principal agente na preservação e tradução da fé para cada época.

 «O primeiro sujeito crente é o sujeito eclesial, composto de indivíduos, comunidades, paróquias e movimentos. A Igreja é o grande sujeito do discernimento do que é a fé, do que se pode dizer, como se deve anunciar e celebrar», destacou.

O investigador recordou, ainda, a importância histórica do CREDO, nos 1700 anos do Concílio de Niceia.

“Desde a origem do cristianismo que estamos a tentar dizer a fé. Niceia desenvolve um eixo dogmático, mas não fecha a hipótese à Igreja de continuar a dizer a sua fé. Este é um processo eclesial que envolve múltiplos autores, escolas e contextos, mas que no final é sempre eclesial”, garantiu.

No final da sua reflexão o mais jovem bispo português apelou a uma visão dinâmica da fé, lembrando que a Igreja continua a ser chamada a traduzir a mensagem de Jesus para os desafios do presente.

“A fé cristã é dinâmica e viaja na História. É um processo vivo, que a Igreja fará no futuro, tal como fez no passado, e tenho a certeza de que o faz também no presente”, completou.

Imagem: Pedro Luz

Educris|18.10.2025 

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