Ângelus: «A Igreja deve ser uma casa de humildade», afirma o Papa

Na manhã deste domingo o Papa Leão XIV falou aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro sobre o valor da humildade e a necessidade de transformar a convivência em verdadeiro encontro. Inspirado no Evangelho de Lucas, o Pontífice apontou a importância de deixar que Jesus “nos descreva como nos vê” e alertou contra a tendência de transformar a vida numa competição constante.

Leão XIV comentou hoje o episódio evangélico em que Jesus é convidado para uma refeição na casa de um dos chefes dos fariseus (Lc 14, 1.7-14) e destacou a importância da “mesa”, em todas as culturas” como sinal de comunhão.

“Estar à mesa juntos, especialmente nos dias de descanso e de festa, é um sinal de paz e comunhão”, afirmou. Ao olhar para o gesto de Jesus o Santo Padre sustentou que o ato de convidar e ser convidado deve ser expressão de abertura e humildade — atitudes essenciais para cultivar uma verdadeira cultura do encontro.

O Papa não ignorou as dificuldades de se criar esse clima de acolhimento e confiança. Observando que os fariseus “ficavam a observar” Jesus com desconfiança, Leão XIV destacou que, ainda assim, o encontro acontece — porque Jesus “se aproxima realmente”, recusando formalismos vazios. “Ele torna-se verdadeiramente hóspede, com respeito e autenticidade”, afirmou.

Ao comentar a corrida pelos “primeiros lugares” durante o almoço relatado no Evangelho, o Papa apontou uma realidade atual: a busca constante por visibilidade, prestígio e validação. “Isto também acontece hoje… o estar juntos transforma-se numa competição”, lamentou.

Nesse contexto, sentar-se à mesa eucarística aos domingos torna-se um desafio: deixar que Jesus tome a palavra e nos revele o que Ele vê. “Repensar como muitas vezes reduzimos a vida a uma competição; como mudamos quem somos para obter algum reconhecimento; como nos comparamos inutilmente uns aos outros” — tudo isso, segundo o Papa, deve ser revisto à luz do Evangelho.

Leão XIV destacou a humildade como o caminho para a liberdade interior. Inspirado nas palavras de Jesus — «Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado» (Lc 14,11) —, o Papa explicou que a verdadeira humildade “é a liberdade de si mesmo”, e nasce quando nos interessamos pelo Reino de Deus mais do que por nós próprios.

“Quem se exalta parece não ter encontrado nada mais interessante do que si mesmo… Mas quem compreendeu ser precioso aos olhos de Deus, quem se sabe filho ou filha, tem coisas maiores pelas quais se exaltar”, afirmou, numa clara crítica à cultura do ego e da autopromoção.

O Papa concluiu com um desejo: que a Igreja se torne “uma academia de humildade”, uma casa onde “todos são sempre bem-vindos, onde os lugares não precisam ser conquistados”. Uma comunidade onde Jesus continua a educar com a sua Palavra e o seu exemplo.

Leão XIV terminou a sua mensagem confiando à Virgem Maria esse caminho de humildade e liberdade: “Maria, a quem agora rezamos, é verdadeiramente a Mãe desta casa.”

Educris|31.08.2025

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