
Patriarcados denunciam escalada de violência e apelam à intervenção da comunidade internacional
Perante a intensificação da ofensiva militar israelita sobre a faixa de Gaza, os Patriarcados Ortodoxo Grego e Latino de Jerusalém divulgaram uma declaração conjunta onde expressam a sua “profunda preocupação com a situação humanitária” e anunciam a decisão de permanecerem “no terreno para cuidar da população civil refugiada nas estruturas religiosas”.
“Os sacerdotes e as religiosas decidiram ficar e continuar a cuidar de todos os que se encontram nos dois complexos”, lê-se no documento enviado ao EDUCRIS e onde as duas estruturas denunciam os bombardeamentos intensos e a destruição generalizada na cidade de Gaza, onde se estima que vivam centenas de milhares de civis. Entre os refugiados estão idosos, mulheres, crianças e pessoas com deficiência, acolhidos nos complexos cristãos de São Porfírio (greco-ortodoxo) e da Sagrada Família (latino).
Os dois Patriarcados alertam que, devido à debilidade física e à subnutrição de muitos refugiados, tentar fugir da cidade seria equivalente a uma sentença de morte. Diante desta realidade, reafirmam o compromisso de presença e solidariedade.
“Tal como outros habitantes da cidade de Gaza, os refugiados terão de decidir segundo a sua consciência o que fazer.
Apelo urgente à comunidade internacional
A declaração conjunta condena o deslocamento forçado de civis e rejeita qualquer justificação para manter a população “como prisioneiros ou reféns em condições dramáticas”. Os líderes cristãos alertam: “Não pode haver um futuro baseado no cativeiro, no deslocamento dos palestinianos ou na vingança.”
Numa referência explícita ao discurso do Papa Leão XIV dirigido recentemente a um grupo de refugiados os dois lideres corroboram a convicção de que “todos os povos, mesmo os mais pequenos e frágeis, devem ser respeitados pelos poderosos na sua identidade e nos seus direitos — em particular o direito a viver nas suas próprias terras. E ninguém pode forçá-los ao exílio forçado.”
Os Patriarcados dirigem ainda um apelo direto à comunidade internacional, pedindo uma intervenção imediata para pôr fim ao que classificam como “guerra insensata e destrutiva”, e para garantir o regresso dos desaparecidos e reféns israelitas.
A nota termina com uma citação do Livro dos Provérbios: «Nos caminhos da justiça está a vida; o seu percurso não conduz à morte» (Prov. 12,28), e um apelo a que seja esta a “hora de permitir que as famílias de todas as partes envolvidas, que há tanto tempo sofrem, possam começar a sarar”.
“Rezemos para que os nossos corações se convertam, a fim de caminharmos por caminhos de justiça e de vida — por Gaza e por toda a Terra Santa”, completa.
Educris|27.08.2025
