Audiência-geral: «O mal tem os dias contados», afirma o Papa

Nova catequese do Papa Francisco sobre a oração do «Pai-Nosso» na audiência-geral desta quarta-feira. Francisco convidou os cristãos a olharem para o exemplo de Jesus, o “homem forte de Deus” e a serem no mundo testemunhas do “amor de Deus” nas suas ações quotidianas. Sempre que se faz o bem “o mal tem os dias contados”, explicou o Papa.

Leia, na íntegra, a catequese do Papa sobre o Pai-Nosso

 

Catequese sobre “Pai Nosso”: 8. Santificado seja o Teu Nome

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Parece que o inverno está de partida e estamos de volta à Praça. Benvindo à praça.  e estamos de volta à praça. Bem-vindos à praça! No nosso percurso de redescoberta da oração do “Pai Nosso”, aprofundaremos hoje a primeira das suas setes invocações, ou seja, «santificado seja o Teu nome».

As questões do “Pai Nosso” são sete, facilmente divisíveis em dois subgrupos. Os três primeiros têm ao centro o “Tu” de Deus Pai; os outros quatro têm no centro o “nós” e as nossas necessidades humanas. Na primeira parte Jesus faz-nos entrar no seu querer, todo dirigido ao Pai: «santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade»; na segunda, é Ele quem nos penetra e torna-se o intérprete das nossas necessidades: o pão de cada dia, o perdão dos pecados, a ajuda na tentação e a libertação do mal.

Aqui está a matriz de toda a oração cristã – eu diria de toda a oração humana – que é sempre feita, por um lado, da contemplação de Deus, do seu mistério, da sua beleza e bondade, e, por outro, o sincero e corajoso pedido do que precisamos para viver e viver bem. Assim, na sua simplicidade e essencialidade, o “Pai Nosso” educa aqueles que Lhe rezam para não multiplicar as palavras vãs, porque – como o próprio Jesus diz – «o vosso Pai sabe muito bem das coisas que precisais antes de lhas pedirdes» (Mt 6.8).

Quando falamos com Deus, não o fazemos para Lhe revelar o que temos nos nossos corações: Ele conhece-o muito melhor do que nós! Se Deus é um mistério para nós, não somos um enigma aos seus olhos (cf. Sl 139, 1-4). Deus é como aquelas mães que precisam apenas de um olhar para entender tudo sobre as crianças: se estão felizes ou tristes, se são sinceras ou escondem alguma coisa …

O primeiro passo na oração cristã é, portanto, a entrega de nós mesmos a Deus, à sua providência. É como dizer: “Senhor, Tu sabes tudo, nem preciso contar a minha dor, só peço que fiques aqui ao meu lado: Tu és a minha esperança”. É interessante notar que Jesus, no sermão da montanha, imediatamente após a transmissão do texto do “Pai Nosso”, exorta à não preocupação e à não antecipação das coisas.  Parece uma contradição: primeiro ele ensina a pedir o pão de cada dia e depois diz-nos: «Não se preocupem em dizer: o que vamos comer? O que vamos beber? O que vestiremos?» (Mt 6,31). Mas a contradição é apenas aparente: os pedidos do cristão expressam a confiança no Pai; e é justamente essa confiança que nos faz pedir o que precisamos sem preocupação e agitação.

É por isso que oramos dizendo: «Seja santificado o Teu nome!». Nesta afirmação – a primeira!  “seja santificado o Teu nome” – denota toda a admiração de Jesus pela beleza e grandeza do Pai, e o desejo de que todos O reconheçam e amem pelo que verdadeiramente é. E, ao mesmo tempo, há a súplica para que o seu nome seja santificado em nós, na nossa família, na nossa comunidade, em todo o mundo. É Deus quem nos santifica, que nos transforma com o seu amor, mas ao mesmo tempo somos também nós que, através do nosso testemunho, manifestamos a santidade de Deus no mundo, fazendo o seu nome presente. Deus é santo, mas se nós, se a nossa vida não é santa, há uma grande incoerência! A santidade de Deus deve ser refletida nas nossas ações, na nossa vida. “Eu sou cristão, Deus é santo, mas faço tantas coisas más”, não, isto não serve. Isto faz muito mal; isto escandaliza e não ajuda.

A santidade de Deus é uma força em expansão, e nós suplicamos porque ela derruba rapidamente as barreiras do nosso mundo. Quando Jesus começa a pregar, o primeiro a pagar as consequências é precisamente o mal que aflige o mundo. Os espíritos malignos juram: «O que queres de nós, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem tu és: o santo de Deus!» (Mc 1,24). Nunca se viu uma santidade como esta: não se preocupou consigo mesmo, mas estendeu-se para o exterior. Uma santidade – a de Jesus – que se espalha em círculos concêntricos, como quando uma pedra é lançada num lago. O mal tem os seus dias contados – o mal não é eterno – o mal não pode mais ferir-nos: chegou o homem forte que toma posse da sua casa (cf. Mc 3, 23-27). E esse homem forte é Jesus, que também nos dá força para tomar posse do nosso lar interior.

A oração afasta todo o medo. O Pai ama-nos, o Filho levanta os braços lado a lado com os nossos, o Espírito trabalha em segredo para a redenção do mundo. E nós? Nós não hesitamos na incerteza. Mas temos uma grande certeza: Deus ama-me; Jesus deu a sua vida por mim! O Espírito está dentro de mim. Essa é a grande certeza. E o mal? Está com medo. E isto é belo.

Tradução Educris|27.02.2019

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