Casal de docentes português testemunha unidade e missão no Jubileu do Mundo Educativo

Casal de docentes, do Patriarcado de Lisboa participa no Jubileu do Mundo Educativo, em Roma, e descreve momento do Papa Leão XIV com os educadores como “um recarregar de sentido, de união e renovação da missão de educar”

João Amaral, professor de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) no Agrupamento de Escolas de São Gonçalo, em Torres Vedras, veio a Roma em família e sublinha que o encontro desta manhã com o Santo Padre lo “encheu plenamente” e o fez querer regressar à escola ainda mais como “peregrino da esperança”.

“O tema ‘Constelações de Esperança’ faz todo o sentido. As palavras do Papa Leão XIV refletiram bem o sentir dos educadores e revelaram uma grande proximidade e conhecimento do mundo educativo. Saímos revigorados”, disse no final do encontro do Papa com os educadores de todo o mundo.

Para o docente é fundamental “reforçar a dimensão humana no ensino” e como docente de Educação Moral e Religiosa Católica reconhece “uma obrigação ainda maior de levar alegria, respeito e ligação aos outros” em contexto escolar.

Laura Dias, também ela professora do Colégio Verde Água, em Mafra, e atualmente responsável por um projeto educativo alternativo, afirma que “vir a Roma” tem sempre “uma grande carga histórica” e que o Jubileu é a possibilidade de “sentir-me próxima e unida a tantos que dedicam a sua vida à educação”.

“Precisamos de recuperar esta união enquanto educadores, pais e professores. Temos de pensar mais nas crianças, pois elas são a possibilidade de mudança do mundo, do futuro. E esta constelação de que fala o nosso Papa, é um bocadinho também esta constelação das escolas, a constelação do educar, a constelação das crianças, que através delas nós vamos mudar o futuro, vamos mudar o mundo que tanto precisa de alterar os valores que tem atualmente”, desenvolve.

Recuperando o pensamento do Papa Leão XIV que lamentou “o muito trabalho burocrático” no mundo da educação e criticou as sociedades que “desvalorizam o papel dos educadores”, Laura Dias diz lamentar “a forma como os professores são hoje tratados, também no nosso contexto educativo português.

“Assumi um projeto alternativo no ensino porque cheguei a uma fase da minha carreira em que me desiludi com o modo como os professores são tratados. Os educadores são os grandes agentes de mudança, mas não são vistos como tal”, lamentou.

“A educação tem de mudar pois é através dela que muda tudo”, garante.

A decisão de virem, em família ao Jubileu do Mundo Educativo, “surgiu naturalmente” e foi “uma decisão ponderada a dois” pois “queríamos viver esta experiência de peregrinação enquanto professores e como família”.

“O Papa não fala só para professores, fala para educadores — e nós, como pais, somos os primeiros educadores”, graceja João Amaral.

Laura Dias acrescenta que a presença do filho foi intencional e decidida desde a primeira hora.

“Queríamos que ele sentisse este espírito de esperança, missão e alegria. Que se sentisse visto, ouvido e amado” também neste contexto.

Durante todo o tempo o mais pequeno, filho deste casal de professores de Lisboa, permanece em silêncio e curioso vai observando tudo o que está à sua volta na imensidão da praça de São Pedro. À primeira pergunta reage rapidamente com a ideia de que “estou a gostar de tudo”, e acrescenta: Não percebo muito, mas gosto do que vejo”, garante.

Amanhã cerca de 15 mil educadores que participam no Jubileu do Mundo Educativo participam na eucaristia na praça de São Pedro, no Vaticano, pelas 10h30 de Roma, seguida da declaração de São João Henrique Newman como Doutor da Igreja e co padroeiro da missão educativa da Igreja.

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