
Francisco lembrou dom do Espírito Santo e apontou três males que ferem a comunidade cristã
“Neste momento há muito silêncio. Além disso, o silêncio pode ser ouvido. Que esse silêncio, que é um pouco novo nos nossos hábitos, nos ensine a ouvir, nos faça crescer na habilidade de escutar. Vamos orar por isso”, pediu o papa na eucaristia desta manhã transmitida pelos serviços de comunicação do Vaticano.
Na sua homilia, e tomando o trecho do evangelho que continua a narrativa do encontro de Jesus com Nicodemos, Francisco explicou o sentido da expressão «Nascer do Alto» presente no evangelho de João.
“«Nascer do alto» (Jo 3, 7) é nascer com a força do Espírito Santo. Não podemos chegar ao Espírito Santo somente por nós mesmos, mas podemos deixar que seja Ele a transformar-nos.”.
Para o papa “a nossa docilidade abre as portas para o Espírito Santo: é Ele quem faz a mudança, a transformação, este renascer do alto” pois “é capaz de fazer maravilhas, sobre as coisas nas quais não podemos sequer pensar”, apontou.
Harmonia do Espírito: o segredo da comunidade cristã ideal
A presença e ação do Espírito Santo torna clara “na primeira comunidade cristã, que não é uma fantasia”, explicou.
“É um modelo, que pode ser alcançado quando há docilidade e se permite que o Espírito Santo entre e nos transforme. Uma comunidade – por assim dizer – ‘ideal’”, reforçou.
Francisco lembrou que uma tal comunidade só é possível se os seus membros “forem dóceis” à ação do “Espírito Santo” pois Ele é o mestre da harmonia”.
“A história diz-nos- no mesmo Livro dos Atos dos Apóstolos – acerca de muitos problemas na comunidade. Este é um modelo: o Senhor permitiu que este modelo de comunidade quase “celestial” nos mostrasse para onde devemos ir”.
O papa lembrou que é “difícil viver em harmonia” porque “existem muitas coisas que dividem uma comunidade, seja uma paróquia cristã, comunidade diocesana ou presbiteriana ou religiosa… muitas coisas vêm para dividir a comunidade”.
Dinheiro, vaidade e Coscuvilhice
Para o papa o dinheiro é “a primeira coisa que divide a comunidade. Divide a Igreja”.
“Vemos isso na carta aos Coríntios quando os ricos traziam comida de e os discípulos e os pobres ficavam a ver”, explanou.
“Muitas vezes, na história da Igreja, onde há desvios doutrinários – nem sempre, mas muitas vezes – há dinheiro por trás: seja o dinheiro do poder, seja do poder político ou outro, mas é o dinheiro. O dinheiro divide a comunidade”, explanou.
“Por este motivo, a pobreza é a mãe da comunidade, a pobreza é o muro que protege a comunidade”, disse.
Como segundo elemento de divisão Francisco apontou a vaidade.
“Quantas vezes a celebração de um sacramento é sinal de vaidade. Vejamos a oração do fariseu. O desejo se querer ser mais do que os outros, de ter a melhor roupa…”, lembrou.
“Porque a vaidade transforma-te num pavão e onde há um pavão, há sempre divisão”, constatou.
Como terceiro elemento de divisão da comunidade o papa apresentou “a coscuvilhice, o maldizer”.
“Não é a primeira vez que eu digo isso, mas é realidade. É realidade. Aquilo que o diabo coloca em nós, como uma necessidade de falar mal dos outros. Numa conversa sobre outra pessoa o, ‘mas’ é como que uma pedra para desqualificar o outro e imediatamente algo que ouvi dizer e assim por diante colocando o outro no patamar mais baixo”, lamentou.
No final da sua homilia o Papa rezou, pedindo “ao Senhor esta docilidade ao Espírito, para que Ele nos transforme e transforme as nossas comunidades, as nossas comunidades paroquiais, diocesanas e religiosas: Tu que as transformas, para avancem sempre na harmonia que Jesus deseja para a comunidade cristã”, concluiu.
Educris|21.04.2020




