«É um sim maior», revelam os instituídos que passam a estar “ao serviço do bispo diocesano para o que precisar”
Na Sé de Aveiro, 24 mulheres e 4 homens assumem hoje o compromisso público de servir a Diocese através da catequese, numa celebração presidida por D. António Moiteiro, Bispo de Aveiro e vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé.
“Esta celebração marca uma etapa de um caminho verdadeiramente sinodal e de uma formação aprofundada que fomos realizando durante os últimos dois anos”, explica ao EDUCRIS Elisabete Nunes, responsável pela Catequese em Aveiro.
Para a responsável, também ela catequista instituída em Roma pelo Papa Leão XIV, o percurso formativo dos novos catequistas instituídos ficou marcado “por laços muitos significativos” que agora, espera, deem fruto para bem de muitos.
“Foi um caminho pensado, exigente e sinodal”, revela. A formação, que decorreu no Centro de Formação D. António Marcelino (CEFAM), “começou há dois anos com disciplinas de primeiro anúncio, liturgia, ministérios e caridade”, prosseguindo no segundo ano com uma personalização maior: “Procurámos direcionar a formação às necessidades reais dos catequistas”, desenvolve.
A responsável pelo Departamento da Catequese da Infância e Adolescência, Elisabete Nunes, dá a conhecer o processo de escolha dos candidatos marcado “pelo discernimento comunitário”.
“Foram propostos pelos seus párocos, houve diálogo entre párocos e catequistas, e realizámos um retiro para clarificar motivações e disponibilidade para o serviço”, revela.
Sete dos novos instituídos integram agora a equipa diocesana de catequese, que passa a contar com 11 membros, e isso pode significar “um chegar a mais pontos da Diocese”, num “avanço da própria coesão pastoral”.
“Fizemos formação juntos, criámos laços. Agora é tempo de trabalharmos de forma mais organizada e sinodal na Diocese”, reforça.
Dos 28 novos instituídos 24 são mulheres. Elisabete Nunes considera que tal se deve ao que apelida de “sensibilidade educativa que tantas mulheres trazem à Igreja” e cita o saudoso Papa Francisco que afirmava que a fé “se transmite como o leite materno, como que a balbuciar”.
| O testemunho dos catequistas instituídos
Os catequistas instituídos partilham um conjunto de testemunhos que revelam percursos de fé, formação e discernimento, marcados por um sentido profundo de missão. Sílvia Vidal, 55 anos, da paróquia da Vera Cruz, catequista há duas décadas, descreve a transformação interior que viveu durante a formação. Confessa que entrou no processo de forma natural: “Pensei que seria uma formação simples… mas foi profunda, longa, cansativa depois de dias de trabalho — mas extremamente enriquecedora.” Para si, a instituição representa uma nova consciência do serviço que desempenha há anos: “Sou catequista há 20 anos, mas a instituição faz-nos perceber o peso e a responsabilidade do serviço. É quase como o Crisma: um sim consciente”, revela. Disponível para “servir na missão que lhe for confiada”, assegura que irá “para onde for enviada”, seja na própria paróquia ou noutros serviços diocesanos. Resume a sua entrega com simplicidade: “Faço catequese sabendo que recebo mais do que aquilo que dou.” Também Octávio Santana, 60 anos, da paróquia de Santiago de Beduído, partilha um percurso marcado pelo regresso à catequese em 2009, após um intervalo motivado pela vida profissional. Sempre trabalhou com pré-adolescentes e recebeu o convite para a instituição “com apreensão”. “Queria perceber se era isso que o Senhor me pedia. Ser instituído traz um carácter mais estável e responsabilidades novas.” Ao longo dos dois anos de formação, foi reconhecendo com maior clareza a sua vocação a este ministério. “Na formação senti que era o meu lugar. Quero sempre conhecer mais Jesus, e digo isso mesmo aos jovens.” Para o futuro, admite “alguns receios”, mas confia no caminho que tem pela frente, sustentando que “há caminho a fazer na certeza de que com oração e confiança em Deus havemos de ter a coragem para superar medos.” Já Fátima Marques, 53 anos, da paróquia de São Pedro de Aradas, recebeu o convite do Bispo e do pároco sem hesitar. “Achei que era um desafio importante para crescer e ajudar melhor os mais novos.” Trabalhando com adolescentes, reconhece a exigência própria deste grupo etário e sustenta que o catequista tem de “gostar muito de pessoas”. “É preciso gostar de pessoas e ter disponibilidade interior. Elas obrigam-nos sempre a saber estar.” Num processo que envolve dezenas de catequistas diocesanos a nova catequistas instituída destaca o papel inspirador de D. António Moiteiro, afirmando que “é o primeiro catequista. Tem sido o motor deste despertar na Diocese”, garante. Para os próximos cinco anos espera “estar ao serviço do que for preciso”, e onde o bispo “me mandar”. |
Educris|23.11.2025



